Arquivo de Julho de 2006

O Carvalho!

AnOakTree 1973ok - AnOakTree 1973ok
Há alguns anos atrás vi na oca em SP uma retrospectiva da TATE MODERN. Foi a primeira vez que a famosa galeria mostrou seu acervo em um local que não a própria TATE. E estavam todos lá: o impressionante “A Bigger Splash” de David Hockney, os impagáveis Gilbert and George, o descoladinho Damien Hirst e gerações de artistas modernos que de alguma forma marcaram a arte nas últimas décadas. Entretanto nada, mas realmente nada do que vi nesta exposição se comparou ao impacto estúpido e delirante de ver um copo com 3/4 de água sob uma base de vidro fixada em uma parede e a uma altura que não se podia alcançar. Foi uma das coisas mais ridículas que já vi em uma galeria de arte e olha que já vi coisas absurdamente ridículas em galerias de arte. Porém, An Oak Tree de Michael Craig-Martin foi a mais retarda de todas e foi justamente pelo elevado grau de demência da obra que fiquei total e apaixonadamente fascinado. Aquilo era praticamente um insulto. Então pensei: este cara é punk pra caralho! Ele põe um copo d’água na parede e chama de “Um Carvalho”!!!!!!! Que idiota e que incrível! A dualidade em mim era tão brutal que levei quatro anos para falar no assunto e nem sei se amadureci a idéia ainda… Bom, depois do impacto inicial percebi logo abaixo do copo, há uns dois metros e um pouco a direita, uma folha de papel. Me aproximei e vi que ali havia uma entrevista com o artista… E este é sem dúvida um dos textos mais brilhantes que a arte moderna já presenciou. Sempre detestei obras que necessitam de legenda… mas esta precisava e muito, ou melhor a legenda era mais arte que a própria obra ou melhor ela era parte dela… Hilário, sarcasmo de altíssima qualidade…… Tirem suas próprias conclusões! E jamais diga “desta água não beberei!”

obs: Me desculpem pelo tamanho do texto abaixo. Mas vale a pena!

Michael Craig-Martin. An oak tree, 1973.
In a room at Tate Modern there is a three-quarter full glass of water on a high shelf. It is a work by Michael Craig-Martin called An oak tree, 1973. Beside it there is the following text:

Q. To begin with, could you describe this work?

A. Yes, of course. What I’ve done is change a glass of water into a full-grown oak tree without altering the accidents of the glass of water.

Q. The accidents?

A. Yes. The colour, feel, weight, size …

Q. Do you mean that the glass of water is a symbol of an oak tree?

A. No. It’s not a symbol. I’ve changed the physical substance of the glass of water into that of an oak tree.

Q. It looks like a glass of water.

A. Of course it does. I didn’t change its appearance. But it’s not a glass of water, it’s an oak tree.

Q. Can you prove what you’ve claimed to have done?

A. Well, yes and no. I claim to have maintained the physical form of the glass of water and, as you can see, I have. However, as one normally looks for evidence of physical change in terms of altered form, no such proof exists.

Q. Haven’t you simply called this glass of water an oak tree?

A. Absolutely not. It is not a glass of water anymore. I have changed its actual substance. It would no longer be accurate to call it a glass of water. One could call it anything one wished but that would not alter the fact that it is an oak tree.

Q. Isn’t this just a case of the emperor’s new clothes?

A. No. With the emperor’s new clothes people claimed to see something that wasn’t there because they felt they should. I would be very surprised if anyone told me they saw an oak tree.

Q. Was it difficult to effect the change?

A. No effort at all. But it took me years of work before I realised I could do it.

Q. When precisely did the glass of water become an oak tree?

A. When I put the water in the glass.

Q. Does this happen every time you fill a glass with water?

A. No, of course not. Only when I intend to change it into an oak tree.

Q. Then intention causes the change?

A. I would say it precipitates the change.

Q. You don’t know how you do it?

A. It contradicts what I feel I know about cause and effect.

Q. It seems to me that you are claiming to have worked a miracle. Isn’t that the case?

A. I’m flattered that you think so.

Q. But aren’t you the only person who can do something like this?

A. How could I know?

Q. Could you teach others to do it?

A. No, it’s not something one can teach.

Q. Do you consider that changing the glass of water into an oak tree constitutes an art work?

A. Yes.

Q. What precisely is the art work? The glass of water?

A. There is no glass of water anymore.

Q. The process of change?

A. There is no process involved in the change.

Q. The oak tree?

A. Yes. The oak tree.

Q. But the oak tree only exists in the mind.

A. No. The actual oak tree is physically present but in the form of the glass of water. As the glass of water was a particular glass of water, the oak tree is also a particular oak tree. To conceive the category ‘oak tree’ or to picture a particular oak tree is not to understand and experience what appears to be a glass of water as an oak tree. Just as it is imperceivable it also inconceivable.

Q. Did the particular oak tree exist somewhere else before it took the form of a glass of water?

A. No. This particular oak tree did not exist previously. I should also point out that it does not and will not ever have any other form than that of a glass of water.

Q. How long will it continue to be an oak tree?

A. Until I change it.

As I understand it, this text is not in itself the work of art, so I am at liberty to reproduce it here.

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Azeitona

azeitona - azeitona

Merda de vida. Moleque de rua, no meio dos outros, pedindo trocado pra dar tudo-tudo do quase nada à mãe puta, pai viciado. Mentindo da família doente, irmã na UTI, irmão no hospital, vó na vida, etc e tal. Estica a mão aqui e ali, um não atrás do outro, não, volta e meia um centavo, quiçá ao fim da noite - já pensou? - um ou dois real. Que tal?

Merda de vida. Dando porrada no próximo pra ver se sobra um naco de algo, no fim da feira, saída da venda, dono canalha, que troca lanchinho por cuzinho, piazinho, chupeta, ninfeta. Um pau por um pão, dormido, sujo, fodido, resto da mesa de qualquer freguês, jogado às traças pra quem for mais forte. Será que um dia vai ser minha vez?

Merda de vida. Foi. Fome de dias, mês sem comer, sei lá eu, eu não sei. Que venha. Sanduba vencido, ainda gelado, código de barras, papel filme, enrolado. Abre e olha: presunto, mosquito, patê. Mato verde que não tem nome. Pepino. Azeitona.

- Azeitona? Mas eu não gosto de azeitona…

Merda de vida, que não deixa pobre nem ser fresco.

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Darth Vader 3 - Darth is Emo!

Na onda do emocore (hardcore com emoção) … mais um para a série Darth Vader - Ridículo e Necessário.

Em breve neste blog artigo revolucionário sobre o mito da máscara negra!

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O movimento punk nunca há de morrer!!!

gustim dusanju - gustim dusanju

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão, esta pantera
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu na Paraíba, em 20 de abril de 1884. É identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano, mas muitos críticos, como o poeta Ferreira Gullar, o consideram pré-moderno. É conhecido como um dos poetas mais estranhos do seu tempo, muitas vezes chamado de poeta da morte ou poeta do hediondo. Sua obra, até hoje, é admirada ou detestada tanto por leigos como por críticos literários.
Sua linguagem orgânica, muitas vezes cientificista e agressivamente crua, explora os ritmos das palavras. Com idéias e rimas geniais, causava repulsa na crítica e no grande público da época. “Eu” somente apresentou grande vendagem anos após a sua morte.
Há muitas divergências entre os críticos de Augusto dos Anjos quanto à apreciação de sua obra e suas posições geralmente extremas. De qualquer forma, seja por ácidas críticas destrutivas, ou através de entusiasmos exaltados de sua obra poética, Augusto dos Anjos está longe de passar despercebido.
Os contrastes peculiarizam seus temas. Idealismo e materialismo, dualismo e monismo, heterogeneidade e homogeneidade, amor e dor, morte e vida, “Tudo convém para o homem ser completo”, como diz o próprio poeta em “Contrastes”.
Um exemplar do “Eu” faz parte da Biblioteca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, por causa dos termos científicos que Augusto dos Anjos utilizava em suas composições.

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Darth Vader 2

Mais um para a série Darth Vader - Ridículo e necessário!

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A Batalha

pinguela - pinguela

As armas!!!

Enfie uma estaca no peito de um americano e ganhe um lugar no céu. Nos
filmes de terror de Hollywood, quem mata o vampiro é sempre um herói. Acaba
bem, pega a mocinha vai para o céu certo? Então pau nos gringos! Tem raça
mais vampira? Eles chuparam tudo e se acham os tais. Vejamos..democracia?
Idéia de grego. Liberdade? Francês. Igualdade? Chinês. Capitalismo? Inglês.
Rock? Inglês. Peitão? Italiano. E agora eles querem bunda! Adivinha onde
eles estão vindo chupar? Pois é virou moda passar no cirurgião plástico da
esquina e pedir ” Doc, give me a big butt brazilian style, please.” Onde
vamos parar? Já não basta levarem nossa madeira, ferro, autodeterminação, o
avião do Santos Dumont , agora eles querem a bunda da Luma de Oliveira.
Porra! Por que eles não se sustentam com as suas próprias muletas? O ouro já
foi, a Amazônia tá indo, mas a bunda não. A bunda é nossa!!! Nossa!!! A
gente precisa riscar um giz no chão e falar “daqui não passa”. Já trocamos
muitos tesouros por DD Seven, Ab Shaper e cama de inflar furadas. Basta!
Vamos sair as ruas, amigos. Fazer passeatas, levantar barricadas em Ipanema,
minar o acesso a Praia Mole, cercar o Café Photo e queimar os filmes que tem
“brazilian butt” na capa. Aliás, esse Buttman é primeiro na fila do paredão.
Antigamente as companhias americanas mandavam geólogos e botânicos passear
“desinteressadamente”pela Amazônia. Agora vem esse Buttman urubuzar o
carnaval. A Policia Federal precisa colocar esse cara no topo da lista
negra. Deixa a alta cúpula da AlKaida entrar, mas não esse vampiro de
nádegas. Vocês riem,né. Vocês riem os mexicanos também riram quando deram
mole com as receitas dos tacos e enchilhadas. Agora, quem ri é o dono da
Taco Bell. Algum integrista dirá que a bunda braziliana vai deixar as
gringas mais próximas, menos duras, mais gente nossa. Eu digo que nosso
“café do brasil” servido num Starbkucks e as latas de feijoada e caipirinhas
contrabandeadas não fizeram nenhum gringo aprender a sambar, gostar de
futebol ou amar Pelé. Então, como disse o Comandante Che “Melhor morrer em
pé do que viver ajoelhado.” Quem passa a mão na nossa bunda é nós. Vamos a
luta!

Jonhy Pinguela.

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Chad Vader - Day Shift Manager (episode 1)

Ridículo e necessário…

absolutamente sem comentários…

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O OLHO NAVALHADO

Havana - Havana

Mês passado um conhecido teve filho com a irmã. O bebê nasceu sem o rabo torcido mas, convenhamos, seria o menor dos problemas. Enquanto o padre dominical faz o sinal da cruz, seja dito que foi amor verdadeiro e ponto. Transgressão é assim, não tem perdão, a história comprova. Burroughs experimentou todas as toxinas produzidas pelo homem e pelo cocô da vaca e, numa pira de Guilherme Tell, matou a mulher com um tiro na testa. Sade, que chutou o balde da obscuridade humana, filosofou primeiro na alcova e depois numa cela da Bastilha, devidamente isolado da nossa convivência.

É verdade que nem toda manifestação subversiva exige do autor ficha na DP ou no Index católico. Ao que consta, Buñuel, deus dos ateus, levava vida pacata, era marido fiel e nem por isso foi um bundão. Mas há uma certa atração quando se transgride obra e vida. Coerência, gritam os radicais. Imagine se, ao invés do Eurípides ter escrito Medéia, o verdadeiro autor da peça fosse Édipo. “Ah, aquela história da mulher que assassina os filhos por vingança só podia vir da cabeça de um maluco que faturou a mãe e furou os olhos”. Transgressão é assim, não tem perdão, a tragédia grega comprova. Hoje não somos mais atenienses, somos só da classe média, mas há um bom tempo a vontade de chutar o pau está na pauta.

Deve ser esse o mal-estar da vida assalariada. Um dia a gente alimenta e no outro abafa o inconformismo lendo Crumb ou escrevendo um manifesto depois do expediente, porque é tolerável a poucos viver à Bukowski. E só pra espezinhar, de noite, embaixo da cama, Artaud provoca: quem fala em revolução e não a pratica todos os dias fala com um cadáver entre os dentes. De radicalidades, tem valor o de uma amiga, cansada da importação de poetas malditos, do mercado da contra-cultura e do papo dos transgressores de sempre: num país como o nosso, durante séculos habituado ao jeitinho brasileiro e a outros esquemas, subversivo é ser irredutivelmente honesto.

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conclave obscurum

conclave1 - conclave1

Conclave Obscurum ( ) é o projeto artístico de um designer russo, Oleg Paschenko, definido em imagens, animações e tipografias em um universo fascinante de feridas e alucinações - universo um tanto pertubador, com seu senso de humor bizarro, vozes, melodias e ruídos fantasmagóricos…claro, o fato de o site, aleatoriamente, tremer, virar de ponta cabeça ou simplesmente desaparecer por alguns instantes, deixando apenas a imagem de um mundo vazio com plataformas flutuantes, ou enchendo a tela de passarinhos, torna esta experiência um pouco mais estranha.

Os trabalhos do artista quase sempre mostram hominídeos – algo entre homens, animais e extraterrestres –, de proporções deformadas, envoltos em certo ar de melancolia, mistério e delírio. Há espaço para a manipulação de personagens conhecidos de cinema e literatura, como vampiros, alien x predador, pierrot e até mesmo o corvo de Allan Poe, em abordagens exageradas e sarcásticas.

A instabilidade, as mudanças bruscas do site e este clima soturno que permeia suas imagens são também as ferramentas para a criação de suas animações. Entre estas, destaco “origami”, com o cotidiano monótono de um ser de papel, com uma deliciosa e bizarra trilha francesa; e “saturnus eateth mortals not”, com o olhar fixo de uma série de teletubbies darks – declarando como hegemônico este tom entre o belo, o esquisito e o medonho.

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Quem Disse Que Rock Não Tem Letra?

(Post publicado em homenagem a data de ontem, o Dia Mundial do Rock.)
j - j

John Lennon, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joey Ramone, Johnny Rotten, James Brown, Jimmy Page, Mick Jagger… Jesus Cristo! Como é grande a lista de nomes fundamentais na história do rock. E maior ainda é uma evidência: se a tal música da juventude (?) possui um algarismo, é o “J”. Mas não é só em três acordes básicos que isso fica evidente: em vinte e quatro frames por segundo também. De Norma Jean a James Dean, o cinema tem estrelas de primeira grandeza quando o assunto é a décima letra do alfabeto.

Mas voltando ao papo inicial, o velho e bom rock’n roll, não é necessário muito esforço para notar que muitos greatest hits do ritmo usam e abusam do “J” em sua formação. Duvida? Então conte (cante) comigo. De “Johnnie B. Good” e “Jailhouse Rock” à “Jumping Jack Flash” e “Hey Joe”, o “J” cumpre com sobras o seu papel. E até ilustres esquecidos e/ou desconhecidos do estilo contam com a participação especial da tal letrinha no seu hall da fama. Quer um exemplo? The Jam. Quer mais? O californiano Jello Biafra, ex-DK (não confundir com DK de NY). E também Screaming Jay Hawkins, John Cale, Jon Spencer Blues Explosion, James, J. J. Allin (NR: eu sei que o certo é G.G. Allin, mas se eu não faço um chuncho o nome dele não entrava na lista) e muitos outros de uma relação sem ponto final.

Por isso, se algum desconhecido lhe oferecer flores e disser para o/a caro/a leitor/a que róque não tem letra, você já sabe o que dizer antes de cuspir na cara dele e chutar a boca com o coturno. Não precisa agradecer.

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um brilho na escuridão

mine t brace.sized - mine t brace.sized
Trabalho em agência de propaganda é trabalho de mineiro. Não tem sol, bronzeado, tem pedra quebrada, dor nas costa. Não tem ar puro, tem barra pesada. Não tem cara limpa, lugar legal, aprova de desmoronamentos e inundações. Tem morte silênciosa por envenenamento, explosões na cara, picaretas nas costas. Quando você entra, tudo é limpo. Sonhos limpos, instintos bons, água pura, cara lavada. Faz uma Ave Maria e desce. Vai recolhendo cascalho, escorando tunel, saindo da frente de quem tem mais o que fazer e aprendendo. E amadurecendo. E sonhando. Vai sonhando com riqueza, reconhecimento, estabilidade, brumas de Olivetto.Um dia você acha um veio! Vem cavando e surge um risco dourado no meio do gravite sujo. Você segue, traça, escora aqui, empurra acula, às vezes explode, outras, é você que implode. No fim o veio vai e você está exaurido. Recomeço! Tudo de novo, com mais força agora. Mais braço. Mais fé. Mas às vezes falta luz lá embaixo, sobram morcegos para lhe chupar o sangue e roubar o sono….nessa horas a fé, como um isqueiro infalível, falha. Fé em você, no amigo ao lado, no trabalho honesto e em Deus. “ Porque, Senhor, levam meu ouro e me trancam no escuro?”. Deus fica mudo e você muda de mina. Vai cavar diamantes, esmeraldas, cobre, cal, carvão, leão. Mas tudo é um tipo de poço. E o elevador sempre desce.Com tempo seus olhos ficam duros, seu braço ficam sujos, seu peito oco, você está calejado. Olha em volta e não tem mais esperança de ser dono de mina, joalheiro, bam-bam-bam. Você é um mineiro de merda no fundo de um mina de bosta. Mas as vezes, um brilho maior brota nas suas mãos. Você achou um diamante lindo e bruto. Uma luz vence a escuridão. Ele é seu? Não. Alguém mais acima vai ganhar a fama e um rei vai fazer dinheiro. Você fica apenas com o respeito do amigos no fundo do buraco e brilho de Deus no fundo do coração.

14 anos de mineiro hoje.

outros artigos do autor:
vício

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THE ORIGINAL STOOGE

the original - the original

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MENINOS… EU VI

gd1 - gd1

a partir de hoje irei postar aqui neste blog uma infinidade de cenas clássicas da cinematografia mundial. clássicas pra mim, é óbvio. cenas que de uma forma ou outra me fizeram decidir pela carreira no cinema, ou me fizeram endeusar este ou aquele diretor, ou foram importantes pra de/formação da minha personalidade, ou simplesmente foram essenciais pra que eu batesse o martelo e passasse a acreditar que o cinema é a coisa mais sensacional que já foi inventada… inclusive a frente do macarrão a bolonhesa, do whisky 18 anos e das músicas do david bowie(xiii polêmica).a cena abaixo é a final do filme blade runner, dirigido por ridley scott e com harrison ford(deckard) e rutger hauer(roy). nesta cena o replicante roy diz um dos mais belos textos que o cinema já filmou. assisti pela primeira vez esta película quando tinha 13 anos, e desde então não parei mais.

* tradução porca do texto pra facilitar pros preguiçosos:

roy - vi coisas que vocês humanos não acreditariam. naves de combate em chamas em órion. vi raios C brilharem na escuridão de tannhauser. todos aqueles momentos ficaram perdidos no tempo, como lágrimas na chuva… hora de morrer…

obs: o título desta modesta coluna cinemaníaca sempre será MENINOS… EU VI. na realidade é uma homenagem ao meu pai(edilson klug), pois um dos primeiros contatos que tive com o cinema foi através de uma poesia chamada ” juca pirama ” de gonçalves dias, que termina com a frase acima. quando meu pai, que decorou esta poesia na adolescência, declamava para mim ainda criança eu sempre imaginei um filme sensacional.

abraço grande e força sempre,

marlon klug.

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Mr Chinaski

chinaski - chinaski

Sábado fui assistir Factotum, filme baseado no romance homônimo de Charles Bukowski. Fui tensa para o cinema. Estava com medo que o filme estragasse a imagem que criei de Henry Chinasky, alter ego do autor, protagonista da estória e minha paixão nos tempos da faculdade. Na época, eu era louca pelo Chinaski, se pudesse me casaria com ele, procriaria com ele e depois envelheceria juntinho, na saúde ou na cirrose crônica.

Para minha sorte, o diretor Brent Hamer fez um bom serviço. Saí do cinema com o Chinaski intacto, para não dizer revigorado. Chinaski é vivido por Matt Dylon, bonitinho demais para o papel, mas decadente e talentoso o suficiente para fazê-lo de forma brilhante. A sua voz não se altera, ouvi-lo falar é como ler o livro, o protagonista transpira sua indiferença pelo mundo. Passa seus dias investindo numa carreira literária fracassada, enquanto se arrasta de um sub emprego a outro, e dali para o meio das pernas de suas mulheres deprimidas, para terminar a noite vomitando vinho e recomeçar tudo no dia seguinte. Ele tem uma vida de merda. A diferença é que sabe disso. E não faz a mínima questão de mudá-la.

O diretor, norueguês, soube usar o espírito nórdico a seu favor. Não é um filme sem emoção, muito pelo contrário, é cheio delas, mas são emoções sutis. Nada grita. A trilha é cool (e excelente), a direção de arte percorre uma palheta ampla, que vai do beje claro ao beje escuro, a cidade é retratada de forma dura, solitária, propícia ao isolamento. Não, não é um mundo bonito, mas é um mundo de verdade. Parecido com o que encontrei ao sair do cinema, a noite, na Rua Augusta com a Paulista. Garçom, uma vodka com gelo, por favor.

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Eu vou eu volto, por entre seus rins!!!

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Serge Gainsbourg é sem dúvida a figura mais emblemática da chanson francesa. Sempre ao lado de belas mulheres como Jane Birkin e Brigitte Bardot ele escandalizou o mundo com seu mega hit Je T’aime, Moi Non Plus de 1969 onde colocou Jane Birkin para gemer enquanto cantava “Eu vou eu volto, por entre seus rins”… há quem ache que Je T’aime será para sempre música de motel mas o que ninguém pode duvidar é do talento e da atmosfera “cool” que Gainsbourg criou para sua obra. Prova disso é a recém lançada coletânea Monsieur Gainsbourg Revisited onde artistas, que gozam do verdadeiro prestígio desta palavra, como Micheal Stipe, Portishead e Franz Ferdinand cantam as conturbadas e belas canções deste gênio do romance.

Com o advento do YouTube é possível ter acesso a uma vasto registro de imagens de Serge Gainsbourg desde os anos 50 até os curiosos clips dos anos 80. Destaque para os vídeos do mais cultuado e bizarro disco de Serge, The Ballad of Melody Nelson 1971, onde o cantor produziu um clip para cada faixa e todos estão disponíveis no YouTube. Broadcast Everything!!!!!

coinfira o clip de comic strip com Brigitte Bardot em sua melhor forma…. salve serge!!!

outros artigos do autor:
time reforçado, wooster collective, futebol-dô, o papel criativo do diretor

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THE KKK TOOK MY BABY AWAY

boys inthehood - boys inthehood

A sociedade é cheia de culpas. Não é por menos; afinal, matamos os índios, escravizamos os negros, degradamos a natureza, elegemos nossos representantes no congresso, escrevemos cartas para a Veja, empalhamos animais e de vez em quando peidamos no elevador. É aí que entra a religião, ela tem a função de aliviar essas culpas, quase sempre através da autoflagelação.
A KKK (Ku Klux Klan), famosa sociedade secreta americana, solucionou esse problema passando a flagelar “terceiros”. É mais confortável e muito eficiente. Oprimindo os negros e mestiços, beneficiam um ideal branco e “cristão”. Debaixo daqueles ridículos capuzes medievais, até o Bush pode estar escondido.
Ainda bem que no Patropi não existe preconceito racial. Veja nossos presidentes, de 13 de maio de 1888 até hoje, quantos foram negros? E bispos, arcebispos, monsenhores, ou demais prelados da igreja católica. Quantos são negros? Diretores de empresas, sócios de clubes, vereadores, prefeitos, generais, almirantes, altos executivos de multi-nacionais, são todos filhos da mãe áfrica ou índios de tribos nativas.
É o Patropi, abençoá po dê e boni po naturê. Mas que belê.

Farinha

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Vício

C 31 SEX PIST. SID VICIOUS MESS - C 31 SEX PIST. SID VICIOUS MESS
Vício só tem uma coisa ruim: é bom. Se vício não fosse bom, não tinha mais viciado em terra que peixe no mar.
Quem não tem vícios que levante mão. Mas antes solte o copo, o cigarro, o canudo, o baralho, o mandato, a seringa, a calculadora, os alteres, o joystick, a luneta, o mouse, o teclado, a agulha de tricô, o gatilho da bomba, a calcinha da vizinha e… Iiiih… Fodeu! Este é um mundo viciado!
Os alçapões do vício são tantos que você pula de lado para escapar de um e cai noutro. Hoje em dia, os traficantes estão onipresentes e oniscientes. A internet, por exemplo, vale por mil cartéis de Cali. Orkut, Messenger, Chat… é tudo um tipo de crack.
Acho que o problema maior com os vícios é que eles não apresentam cartão de visita. São como picaretas de carro. Você não sabe com quem está lidando até que o motor começa a pipocar. Mas no início parece que você fez um negocião. “Uau! Prazer! Quero dar mais uma volta no quarteirão.”
Na igreja dizem que tudo o que é bom vem de Deus e tudo o que é mal vem daquele que o Roberto Carlos não menciona. Mas o que é bom? E ruim? Igreja é vício? Questões que dariam um bom papo ao som de Jovem Guarda e camarão jamaicano.
Uma feiticeira me disse que a primeira droga que você coloca na boca vai te dar fissura a vida toda. A minha primeira droga foi mulher. Pelos meus textos vocês percebem que a bruxa tá correta. Sou um sexocólatra. Mas não anônimo nem solitário. Meio mundo está comigo nessa busca pelo pico que é o orgasmo.
Não tem desculpa: tô no vício, confesso, mas e daí? Acho que depois dos 30 anos ninguém é de ninguém. Quem pode apontar para um pirulito na boca de uma criança feliz e dizer: “Isso é um vício!”?
Outro dia, vi um adesivão na traseira de um Monza: “Eu amo e respeito a minha esposa Jandiara”. Viciado, pensei comigo. Dedo apontando é tão fissurante quanto pirulito.
Acho que o consenso existe: vício é algo que passa a corroer você. Saúde, grana, relações, auto-imagem. Pois eu tenho um vício que faz slalom por esses cones e é vício: eu escrevo.
Este texto de hoje valeu por uma carreira de farinha, um baseado de orégano ou um pau no Messenger.

Johnny Pinguela
johnnypigual.zip.net

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Time reforçado!!!!

blogpic - blogpic

O blog da corporação passa a contar a partir de hoje com um time de colunistas que deve mudar a história da blogesfera (se é que isto existe) para sempre. Como jaguatiricas no cio eles prometem muitas publicações insanas e juram dar vazão aos pensamentos mais recônditos de suas mentes perturbadas. É com muito orgulho que os corporativos fantásticos apresentam os publicitários Carlos Kenji e Giovana Madalosso, os designers Henrique Martins (IQ) e Fábio Salomão (Farinha) e as impagáveis personas Johnny Pinguela e Nego Lee além dos habitués Marlon Klug e Carlão Busato. Aguardem pois o devaneio total irá começar!
Lembrando que este blog é um território livre para idéias e comentários de todos os gêneros já imaginados ou não pela humanidade e seres afins.

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Recicle P…!!!!

filme de reciclagem de lixo que disputou o gran prix de filme em cannes com balls(bravia) e noitulove(guinnes).
obs: eu votaria neste

veja também neste blog:
a arte da reciclagem

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Salve Barbosa!!!!

indubitavelmente a interpretação a seguir é uma das melhores da teledramaturgia mundial. woody allen tem muito que aprender sobre direção de atores com este cara aí em baixo.

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Wooster collective mostra a evolução da arte urbana!

Há um bom tempo a propaganda invadiu as ruas em outdoors, cartazes, front-light, painéis eletrônicos, etc. Simultaneamente a arte também chegou as ruas mas não gozando do mesmo prestígio que a propaganda pois, salvas raras excessões, sempre foi ilegal. Grafitti e stencil art foram considerados durante muito tempo atos de vandalismo contra a coisa pública porque infelizmente muitos não conseguem perceber a diferença entre um muro pixado com a frase “Regina te desejo ass: formigão” da arte urbana das fotos abaixo. Mas por ser mutável, subversiva e livre a arte nas ruas sobreviveu a todas intempéries e evoluiu. O site Wooster collective é dedicado a divulgar esta arte que acontece em todo o canto do mundo, da Letônia a São Paulo é possível encontrar belos exemplos no site. Pode-se perceber também que as ruas formam uma gigantesca galeria a céu aberto onde artistas livres das pressões mercadológicas de marchands e galerias pontencializam na arte a sua capacidade de transcendência, criando uma zona viva entre o terrorismo e a poesia.

www.woostercollctive.com

textual2 - textual2cumhotel1 - cumhotel1

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Kodachi - A espada pequena

O bom de ter um estagiário é, em primeiro lugar, ter alguém para ser o alvo das piadas da equipe técnica por um longo período. Mas outro fator interessante é que por vezes estes “aspones” nos surpreendem com belos trabalhos cheios de vigor universitário, criatividade, ingenuidade e também ousadia quase adolescente. Foi assim que o estagiário 2berto nos surgiu com este Kodachi, uma dublagem do clássico do cinema japonês, os sete samurais. Hilário, digno dos bons momentos do Monty Python mas com um lado chulé maravilhoso. Ruim de tão bom!

realizadores e dubladores:
Humberto Cabral
Marcos Merlin
Thiago Mattar
Rodrigo Vandresen

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