Arquivo de Maio de 2007

40.000

40.000 - 40.000
um dia o geraldo disse que o mundo não se resumia a festivais… daí eu completo: mas não por isso vamos deixar de fazer música!
o blog da corporação fantástica chega a indiscutível marca de 40.000 acessos, isso prova que estamos perdendo dinheiro pra caralho em não colocarmos banners pagos nesta bagaça.
quando o ferris biller(curtindo a vida adoidado) chega naquele carro alegórico durante uma parada festiva ele diz apenas uma frase antes de começar a cantar, a frase é: VAMO AÍ MOÇADA!!! isso diz muito sobre o jeito de ser da corporação fantástica. este, na realidade, é tipo um lema que temos no tratado fantástico.
a música fala: onde queres revolver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão… ou sou peixão ? tipo peixão de peixe grande, sabe como é… os dois fazem sentido… desculpa, foi mau. tem outra história engraçada de um amigo do herminio, o herminio que é sócio aqui do barraco, que ele cantava: na madrugada a vitrola rolando um blues, tocando de biquini sem parar… tocando de biquini sem parar é brilhante né. pelo menos eu acho.
quando o carlão encheu o saco nosso pra fazer este blog confesso que nunca acreditei que ele chegaria aonde está agora. parabéns carlão… até quando você é chato você é legal. sou fã!
tô de férias ainda. cool. férias é um troço massa, você faz um monte de coisas e volta mais cansado do que quando saiu. fui visitar a casa do presidente lula. o palácio do alvorada parece um show room, mas é bacana. eu moraria lá frouxo. a biblioteca de lá deve ter uns 40.000 livros… bá.
esse lance de blog virou uma febre mesmo, mas como tem blog mala aí neste mundão virtual. não vou citar, depois o mala vem aqui e pôe comentários de pouca educação. bundão.
sabe aquela cena que termina o filme crepúsculo dos deuses(Billy Wilder) quando a atriz decadente desce a escadaria e o mordomo dirige ela ? porra, acho aquela cena muito foda porque aquilo é tipo um caso verdade. a atriz que interpreta a atriz decadente é realmente um atriz decadente do cinema mudo e o cara que interpreta o mordomo era um diretor fodão nas épocas de muito mais antigamente. o filme foi tipo uma porta da esperança pra estes caras… loucura rapaziada.
bom, deixa pra lá! ator bom mesmo era o marlon brando, e blog bom mesmo é o da corporação fantástica com seus 40.000 acessos. valeu galeura, que tô emocionado !!!
abraço grande e força sempre.

marlon klug

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pequeno manifesto em defesa dos jeremias!

vendo este vídeo lembro de mim quando frequentava o boteco do lava-car.
quem nunca passou por uma situação com essa que jogue a primeira garrafa.
ainda bem que naqueles tempos não tinha internet direito, pois teríamos nossas sossegadas vidas difamadas eternamente.
eu conheço o jeremias… e ele é um cara legal. na realidade conheço vários jeremias que são caras legais, só bebemos um pouco demais nas tardes de sábado.
quem escreve aqui é marlon ” um jeremias ” klug.

abraço grande e cachaça sempre.

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RUI RESENHA I

RUI RESENHA I - RUI RESENHA I
Quem se lembra do Rui Resenha, o “coolunista” da Chiclete com Banana?Revirando minhas revistas velhas, encontrei uma nota dele intitulada “Alhos com Bugalhos”, de 87 e, dizia assim:
“O mundo corre na velocidade de um trem bala, deixando para trás as tendências surgidas ontem e que hoje se tornaram lixo. Escrementos de uma época. Este new coolunista não nega o enfervecer do planeta, esse imenso sonrisal cultural.
Pintores que não sabem pintar, músicos que não sabem tocar, cineastas que não sambem filmar e críticos que não sabem criticar. Instalou-se o vazio geral e a imprensa aplaude esse espetáculo grotesco.
A mídia diz que o caos é chique, coisa de final de século. Mas, convenhamos, tudo não passa de tremenda merda metida a besta, com pose de pós-bosta.
Se a próxima onda é o Japão, surfarei rumo às Índias; se todos se estirarem na praia, subirei o morro, aquele dos ventos uivantes e, se James Dean e Mick Jagger fossem vivos, hoje seriam uns bundões. Não há rebeldia criativa que não sucumba diante de um gordo capital. Assim profetizou Karl Perkins ou Marx Bolan, sei lá! Sei que ao ouvir falar em contra-cultura, puxo logo meu contra-cheque. Quem sabe faz na hora, não espera acontecer. Portanto, molecada, botem pra foder, peguem seus cartões automáticos, vão ao banco 24 horas mais próximo e saquem todas as bandas de rock desejadas. Deixem todos os saldos negativos. Gritem, rápido “Anarquia! Anarquia!”, porque, como disse Bob Dylan a Abie Hoffman, diante de duas carreiras de cocaína: “O último que chegar é mulher do padre!”
É meus amigos, e lá se foram 20 anos, e como diria o também profeta Leo Jaime: “…uou, uou, uou, uou, nada mudou…”

Fonte: Chiclete com Banana nº10 (Junho/Julho de 1987)

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seu nome em luzes!!!

Bobagens deliciosas… Coloque seu nome em luzes no http://www.notcelebrity.co.uk/

Dica do Bem Legaus


I got my name in lights with notcelebrity.co.uk

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Dom se abraça.

D velazquez50 - D velazquez50

Carlão me deu uma boa notícia. Entre os dez textos mais lidos no blog, três eram meus, inclusive o primeirão. É sal nas lesmas, meu povo!!!Outra coisa chamou a atenção de Carlão: meus três textos tinham o mesmo tema base. Adivinhem? É redondo, macio e ocupa dois terços das bancas de jornais. Carlão em seu elogio disse que tenho dom para escrever sobre bunda da mesma formar que Degas tinha para pintar bailarinas. E dom a gente não chuta, mas abraça. Então vamos a crônica de hoje: bom uso dos dons.

Vejam o caso de uma figura chamada de Amanda Balu. Balu é o que posso chamar de uma pessoa intermediária. Sem insulto nisso, eu quando muito sou zagueiro dando chutão pra frente. A Amanda é média de rosto, médio de busto, média de papo, media de idéias e performance na mina de sal.

Porém de bunda, a Amanda Balu é como a Monalisa exposta na feira de domingo do Largo da Ordem: incomparável. Você vem vendo capa de bujão de gás aqui, pantufa, bicho de pelúcia e, de repente, a Monalisa explode na sua cara.

Imaginaram? Mas o problema que a Amanda Balu não quer ser obra prima. Que ser operária. Para isso a Amanda se esforçar em carregar carrinhos de sal até alta madrugada colocando um véu cinza sobre seu dom. Keyra Agostina não. Essa argentina me foi apresenta pelo Pomps quando escrevi a crônica “ O Santo Grall de fio dental”.Pelas fotos, Keyra aparenta ser é um pessoa tipo intermediária mas, corajosa e rassuda, foi ao ataque. Começou singelamente tirando ela mesma suas fotos e postando na net. Nada de truque de luz ou photoshop, só Keyra, seu shortinho e seu dom. Resultado: num efeito de bola de neve e saliva, Keyra é hoje conhecida mundialmente como “the perfect ass” ou “a melhor bunda da internet”. Da net até que pode ser, mas não do mundo. Porque amigos e feministas em pé de guerra, analisando a questão com gente do calibre de Oriental, Garibaldo e Dom King, todos fomos unânimes no veredicto: Keyra Agostina, musa da net, nada mais é que Amanda Balu sem três meses de spinning. É pá e bola! Amanda Balu tem dom para dominar a net, fincar a bandeira verde-amarela no pavilhão argentino e ser referenciada como a Monalisa. Porém, desgraçadamente, Amanda renega seu dom. Veste jeans folgados, vestidão hiponga, usa salto baixo, não rala na academia e se segue sua vida pela intermediária. Diram as sem bunda que sou um canalha e que mulher não é só um rabo bom. Mas retrucarei que vivemos num mundo competição, onde todos buscam se destacar. Se Balu tivesse uma voz de Elis Regina e não cantasse, você condenaria esse texto? Se fosse atriz como uma Montenegro e usasse isso apenas para vender Herbalife, você pensaria em desperdício?Se Amanda Balu pudesse descobrir a cura da AIDS mas ficasse vendo novelinha, seria eu o canalha? Pois é, dom se abraça. Eu, chutador de canelas, fiz isso em mais uma crônica sobre bunda. A Amanda Balu deveria fazer o mesmo. Ou pelo menos passar a andar de costas. Afinal, a primeira impressão é que fica. Fuii!!!

Johnny Pinguela. Maio de 2007

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Hands - Michel Gondry

O mais recente filme da campanha Hands da HP (veja o artigo sobre a campanha neste mesmo blog) traz como protagonista o brilhante diretor de cinema e propaganda Michel Gondry de “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança”. O novo filme retrata bem o universo mágico do diretor que frenquentemente mistura em seus filmes técnicas de stop-motion e animação integradas ao live action. Quem assina a direção de cena da campanha é o irmão mais velho de Michel, Olivier Gondry. Um dos mais requisitados diretores de propaganda do momento, Olivier foi parceiro frequente de Michel sendo o responsável pelo VFX em trabalhos de repercusão como os clips da Bjork e Chemical Brothers.

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2001 - GoodFellas

Quem tem tempo para criar estas pérolas bizarras do youtube??? Agora a descoberta foi a soma de 2001 do Kubrick com Goodfellas do Scorsese. Hehehe.

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Piratas entre velas e âncoras.

Pirata - Pirata
Velas são agitadas. Inflam-se e vão com o vento do momento. Depois vão se virando aqui e ali para buscar o melhor sopro. Às vezes o vento não vem e o velame murcha.Mas seguem velas. Só que dobradas, amarrotadas e amarguradas.

De repente, xô calmaria! Uma brisa basta para a vela abrir. O velame sobe e o barco vai, mesmo com ventos contrários. Nas tempestades, velas ficam duras como mantas de aço. Rasgam até, são costuradas deixando cicatrizes à mostra… Provas de sua coragem de navegar em tempo impróprio. De longe, velas são bonitas singrando o azul maior do mar. De perto, são grandes levando o barco. De baixo, pesam como tábuas de caixão.

Âncoras são pesadas. Presas a correntes, âncoras dividem seu tempo em ficar quietas no convés e quietas nas profundezas. Ninguém sabe bem o que vai pela cabeça de uma âncora. Ser pesadas lhes basta. Lá no fundo, em meio às rochas e ao lodo, âncoras lutam suas lutas com a maré. Delas se espera força, estabilidade, mudez. Barcos sem velas são barcos parados. Barcos sem âncoras são barcos perdidos.

Âncoras seguram a barra então. Enferrujam, incrustam e ganham majestade de âncora viajada. Mesmo tendo sempre ficado na sua, num canto.

Penso que pessoas meio que se dividem assim. Quando jovem, se é mais vela solta no mar de oportunidades. Pais alertam: “Se garante num banco estatal, guri”. Mas o jovem vai na cata de seus tesouros, ilha da fantasia. Usa cabelo de pirata, roupa gasta, brinco na orelha, cara de mau. Busca os sete mares mesmo ficando por ali, em seu quintal. O vento vai indo e vindo, mudando. O amigo na estatal vai virando o bom. Tem estabilidade, rumo, décimo quarto, a vida enrolada em torno de um nó. Tá no banco, tá bem. O cabeludo careca não. Tá no mar, sem porto, sem vento.As velas são altas e são brancas, mas tão sem porquê. Onde vai o vento? Às vezes são. Às vezes não. A vela vai. Se é o rumo certo não sabe. Só sente que lhe resta o mar dos piratas sem dentes, sem tédio e sem fundos de pensão.

Johnny Pinguela
johnnypinguela.zip.net

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Vale A Pena Rever De Novo Outra Vez Novamente Again, Fazer Repeteco E Ainda Pedir Bis Também

180px Le galop de daisy - 180px Le galop de daisy

Do Ricardo Calil (aqui no NoMínimo de ontem): “O canal Sky Movies Sci-Fi & Horror realizou uma pesquisa em Londres para descobrir as diferenças entre os gostos cinematográficos de homens e mulheres. A pergunta básica era: qual filme você gosta de ver várias vezes? (…) Confira abaixo os Top 10 dos dois sexos.”.

Top 10 das Mulheres

1. “Dirty Dancing” • 2. Trilogia “Star Wars” • 3. “Grease” • 4. “A Noviça Rebelde” • 5. “Uma Linda Mulher” • 6. Trilogia “O Senhor Dos Anéis” • 7. “A Felicidade Não Se Compra” • 8. “O Exterminador Do Futuro” • 9. “Matrix” • 10. “Tubarão”

Top 10 dos Homens

1. Trilogia “Star Wars” • 2. “Aliens” • 3. “O Exterminador Do Futuro” • 4. “Blade Runner” • 5. “O Poderoso Chefão” • 6. “Alien” • 7. “Tubarão” • 8. “Duro De Matar” • 9. “O Exterminador Do Futuro 2″ • 10. Trilogia “O Senhor Dos Anéis”

Do Nego Lee: Minha lista começaria com não sei e sei lá como continuaria. Deixa eu pensar e depois digo. Enquanto isso, responda aí (nos comentários do blog): e a sua?

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CIENTOLOGIA, OUTRO DIA

city lights - city lights

Na rua um dia freqüentada por Kerouac, há um prédio com letreiros imponentes: Church of Scientology. De passagem, sou interrompido por uma mulher que pergunta se eu queria ver um filme lá dentro. Filme? Yes, only twenty minutes, e pergunta de onde sou. Brasileiro? Ótimo, temos versão com legendas em português. O pessoal da Cientologia não perde tempo. Literalmente. Antes que pudesse esboçar reação já me vi dentro do prédio e, mais rapidamente ainda, dentro de um auditório escuro onde era o único espectador. Passei algo parecido certa vez na Cinemateca, assistindo solitário ao Soberba. Mas tudo indicava que desta vez eu não ia contar com o talento do Orson Welles. Bom, de férias vale tudo, então, por que não?

Sinopse. Um universitário, jogador de futebol americano, jovem, saudável, loiro e de olhos claros, é o protagonista. Sua namorada, uma garota jovem, saudável, loira e de olhos claros. Não lembro se era cheerleader. Num jogo, ele sofre um sério acidente e fica paraplégico. Os médicos o desenganam. Para o rapaz, é um golpe do hospital para mantê-lo preso ao leito e lucrar com isso. Temos aí os vilões da trama, médicos sem escrúpulos e ambiciosos. Eis que cai em suas mãos o livro da Cientologia, escrito por L. Ron Hubbard. Lendo, ele se ilumina e descobre que tudo pode ser alterado com o poder da mente, numa mistura de auto ajuda com psicanálise. Meus olhos são testemunhas que funciona: vi o rapaz começando a mexer o dedão do pé, depois o joelho, a perna, a música crescendo até que, num pulo, sai da cama dando um mortal, mesmo após meses sem mexer os membros. Como um canguru, ele salta para fora do hospital nos braços da namorada, provocando a ira dos maléficos doutores.

Saí da sala com saudade da Cinemateca e, enquanto minha pupila ainda se acostumava com a luz, outro funcionário da igreja já me conduzia a um balcão onde o mesmo livro que transforma paraplégicos em capoeiristas aguardava minha compra. Escrito em português, evidentemente. Na contracapa, depoimentos elogiosos de Chick Corea e John Travolta. Livros costumam ser melhores que filmes, mas não paguei pra ver, tinha páginas demais e minhas pernas estavam bem. Na saída, ainda cruzei com a mulher que me levou lá pra dentro. Não tive chance de agradecer, ela estava ocupada conduzindo mais duas pessoas para o interior da sala escura.

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Hands - HP

A nova mania entre finalizadores, editores e gente de pós-produção em geral… é falar da campanha Hands da HP. Criada pela Goodby, Silverstein & Partners - San Francisco a campanha mostra algumas personalidades como Jay-Z, Shaun White, Mark Burnett, Pharrell Williams e Paulo Coelho (???) manipulando no ar ícones e imagens relacionadas com as vidas dos protagonistas… um brilhante trabalho de VFX e animação da Motion Theory. O mais recente e melhor filme da campanha traz a estilista Vera Wang. Mais bem acabado nos aspectos de direção de arte este filme abusa menos do 3D e passa a usar mais elementos reais na composição. Excelente.

Na sequencia filme e Behind the scenes

dica: Ribamar Soares.

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O goleiro e sua condição.


Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento

Jorge Mautner

index75 - index75
33 minutos. Segundo tempo. Voz de radialista:

…cobrou agora Juvenal. Direto, sobre a área. Salta Chico. Não alcança a bola. Mas ficou ainda do campo contrário. Cruzou à boca da meta! Aliviou Gambetta! Vem para Bauer. Bauer aparou o couro no peito. Tentou passar por um contrário. Atrasou para Jair. Jair então infiltra-se. Empurrou o couro. Defendeu Tejera. Voltou para Danilo. Danilo perdeu para Julio Perez, que entregou imediatamente na direção de Míguez. Míguez devolveu a Julio Perez, que está lutando contra Jair, ainda do campo uruguaio. Deu para Ghighia. Ghighia devolveu a Julio Perez que dá em profundidade ao ponteiro direito. Corre Ghighia! Aproxima-se do gol do Brasil e atira! Gol! Gol do Uruguai! Segundo gol do Uruguai. Dois a um, ganha o Uruguai…

Ele se levanta lentamente e observa a comemoração dos uruguaios. Mantém, por um segundo, a cabeça baixa, como a pedir perdão por aquele momento. E aquele momento era um momento de silêncio, uma espécie de funeral repentino que tomara todo o estádio, que silenciara o pagode infernal que se estendia desde a manhã, como se o estádio obedecesse a um interruptor cuja posição fora invertida. Ouviam-se apenas os gritos uruguaios. A imagem daquele dia: onze jogadores silenciando duzentas mil pessoas. Mudas. Estáticas. Suspensas.
E todos os silêncios e todos os olhos e todas as preces e todos os ódios, malefícios e mandingas, bençãos e orações, voltaram-se para aquele goleiro de 29 anos que, sozinho (como ficaria o resto da vida), agora estava de cabeça baixa, como que a ouvir a uma sentença.
E nos doze minutos restantes do jogo ele ficaria ali em silêncio, solitário ante aquele mar de gente, observando o jogo de longe e torcendo, como um espectador, um ouvinte em Quixeramobim, um transeunte na Praça da Sé, um devoto em Juazeiro ou um marido qualquer no balcão de um bar perdido do Centro, por um gol, um mísero gol que evitasse a tragédia que se prenunciava. Ele, tão importante no jogo, nada podia fazer a não ser observar de longe e torcer, torcer, torcer.
E nesses doze minutos que, conforme as leis físicas que regem o futebol, passaram como se fossem doze segundos – porque o time estava perdendo – ninguém no estádio percebeu que ele jogou de olhos marejados e que toda sua vida lhe viera à mente como num filme desbotado, preto e branco, porém nítido. Todas as cenas, desenlaces, ganharam naqueles doze minutos, uma nova exibição. Enquanto o jogo se concentrava no outro lado do campo, naquela tentativa desesperada do time para reverter a situação, e onde o outro goleiro se tornava o novo herói de uma nação minúscula, ele passava em vista todos os lances da sua vida.
Nunca se sentira tão só em toda sua vida. Mesmo com duzentas mil pessoas em volta, era ele e mais ninguém.
Lembrou da infância em Campinas, do futebol entre os amigos, da sua predileção pela ponta-esquerda, dos primeiros bicos e do seu emprego no laboratório de química, onde se revelou um ponta do time da empresa. Lembrou da sua chegada em São Paulo, para começar sua carreira no Ypiranga onde, por acidente, tornara-se goleiro. Lembrou da estréia no Vasco e dos milhares de gols que evitara; dos títulos que conquistara com o time do Rio e das manifestações de gozo da torcida. Lembrou das derrotas, dos xingamentos a que se acostumara. E diante destas lembranças percebeu como amava aquilo tudo, como o futebol dera o sentido da sua vida e que um dia tudo aquilo lhe estaria distante, no passado.
E, num átimo, lembrou que ali estava no jogo mais importante da história, onde tudo seria dividido em antes e depois. E que aquele gol que tomara minutos atrás seria uma mancha, um estigma, a ser carregada pelo resto da vida. Onde quer que fosse seria declarado culpado, o maior dos traidores da pátria. E, por um instante, imaginou que após o fim da partida ninguém se lembraria do que fizera antes, dos gols que evitara. Ele seria para sempre o goleiro que falhara na hora imprevista, o homem derrotado no momento mais importante. A imagem do fracasso. E de súbito olhou para a torcida e teve a impressão de que todos o olhavam com ódio, desprezo e raiva. Teve, então, a pior sensação que jamais tivera: que, encerrada a partida, caso realmente perdessem, seria banido do mundo, condenado tal como um criminoso a expiar seu crime e que carregaria sobre o ombro a culpa daquele time pelo resto da vida. Viu-se dali a cinqüenta anos expiando um crime num país onde a maior pena possível era de trinta.
Ao pensar isto, o desespero lhe veio como um tiro.
Nesse exato momento ouviu um apito e voltou sua atenção ao jogo. Com um lance do outro lado do campo, ironicamente quando o outro goleiro agarrou o último ataque, a última tentativa daquele time de empatar o jogo, o juiz, britanicamente pontual, deu a partida por encerrada.

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Project 155

Dica:
paula rizzo(updateordie)

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