Arquivo de Junho de 2007

off Cannes

O mundo da propaganda torna–se sempre repetitivo e autoreferencial. Muito se falou neste último festival de cannes que não há mais novidade, até mesmo nas novas mídias. Mas no off cannes muito coisa rola. Segue filme garimpado por Marcelo Romko. Brilhante!

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Participe da campanha do agasalha.

bunda - bunda

Sexo é calor, diversão! E a mulher é um Playcenter. Então, por que não aproveitar todos os brinquedos? Ver a mulher sempre igual é como um passeio no carrossel. Por mais legal que seja o cavalinho que sobe e desce, uma hora dá enjôo ou, pior, deixa o cara tonto. Daí o tonto troca de parque. Besteira! O negócio é trocar de brinquedo e seguir a diversão.

Por isso, amigos, antes que comece a soprar o vento gelado da apatia, é preciso pular de um cavalinho para o elefante voador, escorregar no tobogã de língua, apavorar no trem-fantasma, brincar de medo da mulher-gorila. Lembram-se da Monga? Não sei por onde anda, mas ela deve andar bem casada. Afinal, num momento ela era uma mocinha fina, de traços educados. Noutro, uma macaca louca arregaçando barras de aço e apavorando a macharada toda. Isso sim é uma atração quente!

Fidelidade se constrói traçando a mesma mulher de um jeito diferente a cada noite. Imaginação no poder era o lema dos estudantes em Paris. Imaginação também é foder. O cara que é fiel até na imaginação é um boçal. Ver a mulher sempre igual deve ser o ó. Para a trepada de entretenimento, a sacanagem de diversão, é preciso confiar e ousar. Papai e mamãe no escuro é legal, um clássico, saia e blusa. Mas como um tarado é um cara comum apanhado em flagrante, no guarda-roupa deve haver trajes outros. Roupa de toureira, vestido de normalista, empregada, encanador, patroa, calça de cachorra, minissaia de couro, roupa normal, por baixo fio-dental e assim vai o passeio, mais alegre, brilhante e sem fim. Como diz o poeta maior da padaria, o Nivaldo do Estilo: “Pra quem é sente frio, toalha de mesa é casaco de pele”.

Johnny Pinguela

leia mais johnnypinguela.zip.net

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Chegada do Trem - conto de Carlos Klug

TREM - TREM
COM A NOITE,
AQUELA SENSAÇÃO
DE VAZIO, DE INTEIRO
ABANDONO…

O pequeno rádio da sala ora dava
notícias de um mundo longínquo, ora
apregoava mercadorias, ou apresentava
uma cantiga.

Mas, por quê?

Se a verdadeira canção estava lá
fora, no cantar da fonte cristalina, no cicio
amoroso da folhagem, no perfume das
flores que desabrochavam.

Quando a grande poesia está na
espera por alguém que não vem.

Uma rãzinha verde fitava perplexa a
imensa abóbada estrelada, como que
cismando sobre a diferença que vai da
estreiteza do raciocínio humano à
incomensurável grandiosidade dos
desígnios divinos.

Em rápida sucessão rememorou os
principais acontecimentos da sua vida
conjugal, a aflição dos primeiros tempos
em que o marido viajava, sempre
temerosa de que algo de mal
acontecesse…

A angústia dos minutos intermináveis
de espera…

Todavia, para compensar, a alegria
das chegadas, ele cansado, porém
carinhoso, relatando com entusiasmo os
menores incidentes da viagem.

Até que, certo dia, a notícia do
acidente fatal, que a lançou na cruel solidão.

tecia demoradas considerações
sobre o assunto, procurando coragem
na sua fraqueza, como criança pobre
imagina um vestido de baile para sua
boneca de pano.

Caprichava no entrelaçamento das
idéias, porém, ao invés de fino rendado
deparava-se-lhe grotesco emaranhado.

Uma fina fatia de lua, lá do alto,
espreitava por detrás das nuvens,
vestindo de prata a exuberância da
noite brasileira.

E de repente, dentro da noite, o
silvo agudo do trem que chegava.
A Estação devia estar cheia de
gente que aguardava ansiosa os seus
entes queridos…
A viúva do maquinista enxugou
mais uma lágrima.

(página 17, do livro “Família Klug”, de Edilson Klug)

fonte - R.K - blog - http://rklug.blogspot.com

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Epístola de Adeus

separacao - separacao
Nândo…

Não dá mais pra mim. Eu juro que tentei, mas agora eu dezisto. Vou embora para um lugar escondido. Neim adianta me procurar. Canssei de ficar finjindo ser a mulher que não sou çomente para lhe agradar. Canssei de fazer suas vontades e mimos çó para te ver feliz. Não. Não vou fazer mais isto. Eu sou jóvem. Tenho a vida pela frente. Por que vou ficar aqui sofrendo e me submetendo a suas vontades? Çó porque você é rico, bonito e não pára de fazer sexo? Uma relassão não é çó sexo.
Não. Eu quero um homem que me escute. Que converce comigo. Que pergunte: “como foi seu dia?”. Que se intereçe por mim e pelas coizas que fasso. E que não me trate como uma planta, simplesmente. Nando, quero que vossê saiba que eu não sou uma planta. Eu sou uma mulher. Uma MU-LHER. Leia bem esta parte: mu-lher. Vossê não faiz a menor idéia do que isto çignifica.
Eu meresso um homem que cuide de mim. E meresso um homem direito. Um que não fique babando pelas minhas amigas. Noça, só de lembrar me dá nojo. O que era vossê quando via a Má, a Naia, a Sú, a Gê, a Mi e a Lê? A Di e a Pati? E aquela vez na praia, com a Fê? Paressia um bixo. E ainda teve a cara de pau de me propor aquela safadesa, como era mêsmo?… Menajiatroá… Sei lá o nome daquilo. Ai, que nojo! Não acredito que vossê pensa eças coizas. Eu nunca vou faser uma coiza desta, tá entendendo. Nunquinha! Eu não sou deças.
E quer saber? Vou ficar bem sem vossê. Vou arranjar um homem muito melhor que vossê. Menos rico, talvez. Menos bonito… Menos tarado… É… Não importa. Mas vai çer um homem dessente e que çaiba dar valor à mulher que ele tem do lado. Vossê vai ver o que vossê perdeu: uma mulher bonita, inteligente e, assima de tudo, dedicada. Agora, asar o çeu.
Por iço, adêus e passar beim.

Vivi.

P.S: E neim adianta vir atráz de mim na caza da minha mãe.

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Namoro é degustação. Casamento, indigestão.

Namoro é degustação. Casamento, indigestão.0  2005421067 00 - 0  2005421067 00

Mulheres solteiras são como as promotoras de queijinho que a gente cruza no
supermercado. Você vem procurando um saco de carvão, sal grosso e umas
berrejas e dá de cara com o sorriso meigo e uma proposta: “Já conhece o
Cream Cheese Lu?”. Como é de graça e a moça veste um colant justo, você
aceita a proposta. Enquanto degusta a novidade, vem o malho: “É light, vai
bem com vinhos, cervejas, aperitivos com os amigos. No café da manhã agrada
e no fondue nas noites frias é de-li-ci-o-so”. Você, meio cativado pela moça
e com o sabor do queijinho, joga um pacote no carrinho.

Aí acontece uma de duas coisas:

- O queijo é bom mesmo é você gosta dele. Inventa pratos novos, receitas
surpreendentes, acompanhamentos mil.

- O queijo é ruim e vira um troço pastoso, de cheiro estranho e não muito
palatável, que faz cara feia para amigos e vizinhas. No fim, esquecido no
fundo da geladeira, o queijo embolora.

Seja qual for o fim do seu queijo, você só vai saber depois de levar o
pacote para casa. No supermercado tudo é light e feito para agradar. Queijo
não dá azia, a promotora não tem TPM, o preço de lançamento é pra matar a
concorrência, a vida é um comercial de leite Molico. Bah!!!

Sei que as mulheres que me acompanharam até aqui estão querendo me esfregar
a bandeja de queijo na cara, mas fazer o quê? É verdade! A mulher, para
cativar o homem, engole sabores mais fortes, disfarça os cheiros, veste
decotes, bronzeados, fala doce, acorda linda, de bom humor e traz um Molico.
Fazem isso tão bem que algumas mulheres até se compram sendo isso. Mas, com
anos de casamento, o sabor real aparece. Aí acontece uma destas três coisas:

- A mulher azeda. Fica pensando no que podia ter sido, no mundo perfeito ao
lado de um homem suflê, inflado, leve, saboroso e cercado de mordomias e
acaba por estragar o casamento.

- A mulher amolece. Veste calça de moletom e camisa do Mickey e fica
largada, sem sonhos, ambições. Quando muito, cuida da prole, assiste
infomerciais de AB Shaper e lê revistas de fofocas.

- Ou a mulher fica leve, aceita as imperfeições, doma o tempo e envelhece
como vinho, inventando pratos, descobrindo novos sabores, receitas para
aceitar rugas e compor um amor perfeito e duradouro com essa
marmelada-cascão que são os homens.

Johnny Pinguela
leia mais: johnnypinguela.zip.net

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RUI RESENHA II

RUI RESENHA II - RUI RESENHA II

EDIFÍCIO DAKOTA, AGOSTO DE 80

John Lennon, o velho beatle, andava constantemente irritado. Algo lhe incomodava terrivelmente. Não sabia o que fazer. Caminhava de um lado para outro e aquela sensação de desconforto aumentava cada vez mais, a cada passo. Então deu uma longa tragada no cigarro e decidiu falar com Yoko. Virou-se para ela, num tom decidido, disse: -“Quer tirar o dedo do meu cu?”

Fonte: Chiclete com Banana nº10 (Junho/Julho de 1987)

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The internet is for Porn!!!

Assim como o second life, o jogo World of Warcraft é uma febre que atrai milhões de usuários para viverem suas desventuras em um mundo virtual. O WOW, como é chamado pelos usuários, é um mundo mágico no melhor estilo J.R. Tolkien… mas o curioso é que o jogo gerou uma nova febre: a de vídeos realizados pelos jogadores usando a própria interface do jogo. É possível fazer com que seu personagem “atue” com uma gama considrável de acões. Alguns dos vídeos são simplesmente fantásticos e o site oficial do jogo já promoveu junto ao YouTube um concurso.

The “internet is for Porn!” é um sucesso e já teve mais de 5 milhões de acessos no youtube.

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MENINOS… EU VI ( Sunset Boulevard )

aí vai… a cena que citei no texto anterior. o trecho final do filme crepúsculo dos deuses, ou sunset boulevard no original, em que a atriz decadente do cinema mudo é dirigida pelo diretor decadente do cinema mudo.
o filme conta a história de um roteirista(william holden), que nem decadente é pois ainda não fez nada, que para fugir de alguns credores sanguessugas se esconde na casa de uma maluca(gloria swanson) que no passado foi uma estrela de hollywood. na mansão moram ela e um mordomo(erich von stroheim) também malucão que na ficção foi o primeiro marido dela e na vida real era um diretor-pra lá-de artista intelectual-em eterna depressão profunda-querendo dividir-sua repulsa ao mundo-com qualquer zé pinguela-que passasse na- esquina do boteco. ou seja… um mala! voltando ao roteirista: este começa a contar a sua história logo depois de morrer afogado em uma piscina… isso mesmo sabichão, na piscina da mansão dita acima. rapidamente chegamos a uma fácil conclusão, de que maluco mesmo era o diretor do filme billy wilder(gênio!) que criou uma das cenas mais famosas de qualquer clipe de cinema que organizadores de festivais adoram passar em festivais. a cena do corpo do negão afogado que inicia o filme. daí em diante rola um monte de piras sensacionais entre nossos três protagonistas e uma atrizinha, metida a ter boas idéias, que se afeiçoa pela personagem de william holden. este que na verdade da uma de gigolô pra cima da véia que tá louca(mesmo!) pra voltar ao altar da fama e acha que ele sendo roteirista pode vir a ajuda-la. furada…
te digo meu filho que este filme tá no meu top 10 já faz um tempo. se cê tá afins de entender um pouco sobre a banda podre de hollywood dos anos 40/50 e ver um gênio(billy wilder) em ação, pega este filme na locadora e eu ponho minha mão no fogo que vais ficar de cara. hã… só não esqueça de assistir os extras por completo, é tão bom quanto o filme.
abraço grande e força sempre, e depois ponho uma ceninha genial do ferris biller(curtindo a vida adoidado) com os devidos comentários cretinos que saem da minha cabeça com certa facilidade.
marlon klug
crepusculo dos deuses poster01 - crepusculo dos deuses poster01

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MANIFESTO A FAVOR DO JUIZ LADRÃO

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Este texto é um manifesto em favor do juiz ladrão, espécie em extinção desde que a modernidade resolveu pôr suas garras neste esporte que nos fascina, domina e nos leva a insanidades terríveis, como deixar de lado esposa, filhos, a loira do 701, trabalhos e coisas afins, em prol de uma partida entre Democrata de Sete Lagoas e Ipatinga, pela quarta rodada do Campeonato Mineiro. Sim, resolveram modernizar o futebol e quem paga a conta? O juiz ladrão.
Um despaupério, um absurdo.
Justo o juiz ladrão? Aquele capaz de salvar a mais modorrenta das partidas, marcando um pênalti inexistente aos 47 do segundo tempo?
Capaz de, no cara ou coroa que decide quem começa a partida, dizer “deu coroa, ganhamos!”.
Capaz de provocar aquela briguinha clássica entre os dois times, com direito à invasão de campo, correrias e safanões?
Capaz, por “cenzão”, de expulsar um atacante só porque ele está bem na partida e vai fazer um gol no time que pagou a grana.
Capaz de esticar o jogo até cincoenta e nove minutos do segundo tempo só para que o time que bancou a festinha da noite anterior empate o jogo.
Capaz de não marcar um impedimento claríssimo e, diante da reclamação do time prejudicado, dizer que “o gandula dava condição”.
Enfim, querem acabar com esta figura humana que engrandece o futebol e enriquece o esporte.
Não, precisamos nos unir contra essa barbárie, esse despropósito da modernidade. Não bastou terem exterminado o nosso direito ao meretrício, o direito das moças de cultivar aquela barriguinha com catupiry, o direito masculino à boa broxada ou o prazer de andar de Brasília? Agora querem acabar com o juiz ladrão!?
O que será dos nossos domingos sem essa figura ímpar?
A quem chamaremos de lazarento, de vascaíno, de fiodaputa, de corno?
A quem dirigiremos nossos ódios e opróbrios de segunda-feira?
Não, não podemos deixar isto acontecer. Onde vamos parar desse jeito?
Daqui a pouco acabarão com o pastel engordurado, com o conhaque São João da Barra, com o direito de chamar o namorado de “xãoê” (ao invés de paixão…), com o romops! Não, com o romops só se for por cima do meu cadáver!!!
Enfim, precisamos nos unir em prol do velho e bom juiz ladrão. Conto com todos.

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