Arquivo de Agosto de 2007

Mesão

u - u
Cheguei à porta do bar e um figura me perguntou:

- Veio pela festa?

- Não, vim pelo bar.

O cara meneou a cabeça e abriu passagem. Lá dentro, vejo a burrada.
Espalhados por todo o salão, lá estão eles, dessarumados como cabelos da
Medusa: os mesões. Um em forma de U, outro em C e um menor em forma de
assento agudo. Penso em ir a outro bar, mas fico onde estou. O bar tem chopp
Guiness e os mesões das festas são os donos da noite de sábado, em Curitiba.
Com 87% das mesas ocupadas por plaquinhas de ³reservado², vou para o
reservado à solidão: o balcão.

Do balcão, observo os mesões como braços frios de um polvo chamado
sociedade. Nos mesões, todos são algo mais que um cara no balcão. Todos
conhecem a Giovanna do trabalho, da Pedagogia Manhã, da academia, do Orkut.
Amizades forjadas no Messenger serão sempre mais que o passangeiro ao lado
no coletivo de cada dia.

Giovanna chega e traz uma amiga do peito e o bolo. Quem faz festa com bolo
em bar depois dos 18 não deveria ter 18, deveria ficar sempre fazendo 12 até
se tocar. Mas deixa pra lá o meu amargor. Giovanna está radiante. Tem um
mesão só seu e um relógio no pulso. Olha o mesão, olha o pulso e pensa.
Vinte cadeiras, 22 amigos. Vai faltar lugar? O tempo responde. Chegam um,
dois, um casal com cara de tédio. E o mesão do lado é mais animado. Tem nego
fazendo imitação do Vesguinho e brindes ao patrão caolho.

Giovanna reduz expectativas. Oitenta por cento de ocupação tá pra lá de bom.
Meia-noite bate e Giovanna vai virando abóbora. Um terço do mesão está
ocupado. Se tivesse reduzido suas expectativas a seus amigos-amigos e
solitários desesperados em anestesiar solidão, estaria feliz com seus seis
lugares ocupados. Mas o brilho vazio dos 14 lugares reservados ofusca.
Incomoda Giovanna, a mim e ao dono do bar.

Na ponta oposta, Giovanna perde uma mesa para um casal de namorados. No dia
de seu aniversário, levam um naco de seu coração. Se a turma da academia
aparecer tá branco. Mas eles só têm olhos para suas barrigas de tanquinho e
mesões mais badalados. Giovanna fica cada vez mais em seu canto. A noite
avança e a cara de tédio do casal chama o ³Parabéns². Todos batem palmas,
mas a data não parece ser tão querida. O mesão se desfaz, a festa acaba, o
bolo sobra.

Vida em sociedade é garimpo. Se fizesse um mesão para mim, quantos viriam? É
melhor reservar uma mesa para quatro lugares, levar um Fernando Pessoa amigo
do peito e esperar no balcão. Homens são como bichos. Alguns vivem em
cardumes, rebanhos, matilhas… Outros em pares… Outros, lobisomens. Já
fui fração infeliz de cardume, arara voando feliz a dois por Paris. Agora
uivo na noite de Curitiba. Peço outra Guiness. E eu, no meu reservado, faço
um brinde sincero à minha grande amiga e irmã, Giovanna.

johnnypinguela.zip.net

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byvivas - byvivas
os amigos da by vivas colocaram esta semana no ar um novo site - www.byvivas.com.br - . confiram!!!!
os cara fizeram um lance bem bacana, eles fizeram o site inspirados nos portais que proliferam aí no mundinho virtual. o mais bacana que eu acho neste modelo é que você não fica apenas conhecendo os trabalhos e as intenções administrativas da empresa, você fica sabendo o que os donos pensam a respeito daquilo que fazem, o que querem fazer e o que não farão jamais. consegue entender um pouco mais sobre a personalidade da agência, já que a empresa sempre é a cara dos donos, através de observações mais pessoais que estão sendo postadas no blog que tem lá e no jeitão interativo do site.
é isso aí amigos byviveanos !!!! parabéns pela atitude e tenho certeza que se inicia uma nova etapa na já feliz história da byvivas.

abraço grande e força sempre,

marlon klug

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Ranking De Hoje: Toalheiros

toalheiro - toalheiro
O Instituto Tecnológico Científico Nego Lee The Commonwealth Of Massachusetts Uh-Te-Rê-Rê tem o orgulho de apresentar mais um extraordinário trabalho de pesquisa sobre um dos mais importantes assuntos que afligem a humanidade: os toalheiros. Sim, aqueles trecos que ficam nos banheiros públicos para as pessoas secarem as mãos depois de uma torneirada pós-xixi ou cocô.

Eis os resultados (por ordem de qualidade ri-go-ro-sa-men-te testada e comprovada, pode ter a certeza)…

5º Lugar = Vapor Barato: Sem dúvida, o pior de todos. Meu, sério: nem a pau que algum ser humano consegue secar a mão naquela irritante maquininha que fica sobrando um bafo quente chato e ineficiente. Só serve para fungar em cangote de anão. Cotação: Desgust.

4º Lugar = Papel com Sensor: Outra porcaria. Já não basta passar pelo desprazer de estar em um lugar fechado cheio de homem com o pau para fora, de onde você quer sair o quanto antes, o cabra ainda tem que esperar a pôrra do motorzinho funcionar direito. Cotação: Argh.

3º Lugar = Papel Higiênico: Dos males, o menor. Tem como pró o fato de ser familiar ao povo e estar (quase) sempre à mão, às vezes até sem fila, mas conta como contra com aquela eterna interrogação se o “higiênico” do nome confere ou não. Cotação: Menimeni.

2º Lugar = Papel com Picote: Muita eficiência, mas muito esperdício. (NR: Sim, eu escrevo errado de propósito. Eu gosto assim. Vai encarar?) Whatever, quer saber? QSF: não dá mesmo para enxugar a pata apenas com duas folhas. Azar das árveres. Cotação: Quaaaaase.

1º Lugar = Toalhão de Pano: 99% perfeito. Seca bão, tem sempre bastantão e é fácil de usar de montão. O tal do 1% fica por conta das travadas que rolam quando se puxa a bobina como macho, mas não é nada que uns tapas no bagulho não resolvam. Cotação: Puxa!

Vale lembrar que esta pesquisa foi auditada pela empresa Poncio & Pilatos, a bam-bam-bam no assunto. Opiniões (ou sugestões para o próximo objeto de estudo) nos comentários, por favor.

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Hippies malditos!

hippie - hippie

Esses jovens estão perdidos. Eu os vejo por aí largados na droga, no sexo e, pior: ninguém me convida. Hippies malditos! Sei que o termo “hippie” está passado como patota, poncho de lhama, flauta de bambu e sonhar com paz na Terra. Mas serve bem pra mim como servia ao Nivaldo cobrador, no início dos anos 80.

Para o Nivaldo, todo mundo que tinha mais de 2 centímetros de cabelo e menos de 30 era hippie. Nivaldo é que era um estressado de merda. Cobrador mal pago bem depois dos hippies embarcarem na sua última viagem. Para o Nivaldo, hippie era alguém que não condizia com a catraca da vida. Hippie não se vestia direito, não se barbeava direito e, principalmente, descia pela porta de trás dos ônibus da Gatusa. Os malucos subiam no bumbão e não passavam pela catraca. Nivaldo ficava cabreiro. Um olho no troco e outro no cabeludo. Antevia o “crime”, mas não fazia nada. Ele contava com o crime para descarregar seu ódio no sistema que o prendeu a um destino de ioiô centro-bairro-centro. Numa parada qualquer do caminho, o cabeludo escapolia pela porta do fundo e voava livre e tranqüilo como a pomba da paz.

“Hippies malditos! Hippies de merda!!” - esbravejava Nivaldo. Às vezes, punha culpas outras no malucão em fuga. “Não pagam a passagem e ainda riscam os bancos, hippies malditos! Fumam maconha e adoram o demônio, hippies malditos! Estupram menina e chutam sacos de lixo, hippies malditos!”

Para o Nivaldo, os hippies eram a culpa de tudo errado no Brasil do General “Prendo e Arrebento” Figueiredo. Era tamanha sua retórica anti-hippie que até dava para acreditar… Isso se não fosse por minha tia Ony. Sabem, minha tia foi a única hippie que vi ao vivo. Tia Ony era pela paz e amor. Flower power de raiz, mas sem charopada ponche e conga. Tia Ony tinha cabelão, bolsão de couro carregado de utopias (e doces para mim). Super inteligente e esforçada, Tia Ony fez uma faculdade burra: sociologia. Podia fazer Direito, Astronáutica, Endinharia de alguma coisa, mas a tia tinha ganas de enriquecer a terra. Por isso, formada, tia Ony foi trabalhar na área social da Prefeitura de Curitiba. Inventou um monte de programas sociais. Mas só uns poucos ganharam a rua (tia fazia o bem, e não política). Lembra de um ônibus que rodava a madrugada gelada com sopa fumegante na faixa para os necessitados da hora? Sacada da tia hippie! Aos 48 anos, minha tia Ony descobriu que tinha câncer no pulmão. Nivaldo diria que era porque fumava capim e adorava o demônio. Acho que o demônio tem outros passageiros para atropelar com seu bonde. Minha tia pegou ônibus para a terra onde gente boa que tenta pular as injustas catracas deste mundo vai. Hoje, minha tia assiste na primeira fila show do Lennon, Harrison, Hendrix e daquele outro cabeludo gente fina.

Minha tia partiu para as estrelas e os diamantes. Mas não sem antes encaminhar e dar destino para três filhos. Uma professora, uma botânica, um médico. Todos hippies malditos.

johnnypinguela.zip.net

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Route 66 Like Jesus 33

eu - eu

Todo bundão devia ter o direito de dar uma de (ou na) Carla Perez. Eis aqui, então, eu, no meu momento de burra pretensão. E tal qual o filho dEle, o pai dEla - a minha filha de onze anos - vos digo: aos trinta e três, eu ressuscitei. Sim, com a idade de Cristo quando morreu, sinto pagos meus pecados e agora cresço e apareço e estabeleço, para mim, um recomeço, anunciando a boa nova (pessoa) ao mundo feito um anjo, Gabriel, o pecador, com o diabo no corpo já não mais tão feio, sujo e malvado ou na alma penada e lavada. Assim sendo, este que vos fala aproveita o mês do cachorro louco e usa umas quinze linhas de fama para dizer sem desgosto que está são e salvo, vazio como um copo d’água com gelo e cheio de vida e amor para dar e vender a quem quiser pagar para ver. Hoje, em agosto, por exemplo, eu já não tenho mais aquilo roxo de quinze anos e nos trinta me viro para mudar de cor, marrom, um dia preto, pronto para o caminho e seu novo início. Também, por sorte ou azar, sei lá, me vejo com treze anos de profissão e peso(s) nas costas, cabeça(s), tronco e membros, exibindo calos nas mãos e nós nos dedos, sem nariz para cima ou tampouco os pés - estes indo para frente, sem (o) olhar para trás, e deixando idem aquele outro eu, que já não é mais o mesmo, graças a Deus. Desta feita, afogando em números, nadando contra a corrente e a favor das palavras que não me atingem nem quebram meus ossos feito pedras e paus, nesta longa estrada da vida eu vou correndo e não posso parar, pois quem fica parado é poste - e poste, você sabe, não é cousa de homem, e sim de mulher grávida e bambu. E bambu, você também sabe, já viu, né?

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