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Se entregando a vida.

605px Pizza.svg - 605px Pizza.svg
Como pizza, o prazo de validade da vida é já. Depois que passou vai para fundo da geladeira. Para o cachorro mastigar. Ou para saco azul profundo. Comer a vida quente é que vale.Trabalhar como formiga sim. Mas cantarolando como cigarra. Certo? Certo!
Mas para mim e duro saborear o hoje. Acordar para o hoje. Vestir a capa impermeável para o hoje. Montar no hoje e ziguezaguer os obstáculos . Entregar a pizza nossa de cada dia e ir em frente agradecido pela caixinhas. Motoboys vivem o hoje, eu não. Eu vivo a mancha de óleo, a lombada, o sinal fechado, o elevador de serviço com defeito, a pizza fria e, principalmente, as portas. Penso na porta que se abrem no trânsito. Penso nas portas que tenho que bater. Penso demais! Sofro demais! Vivo de menos fazendo estregas e recebendo uma caixinha de incertezas. Por isso, invejo motoboys! Com suas CGs fumassentas, mata cachorros tortos, remendos com arrame , eles se entregam para a vida. Mesmo que o tombo seja inevitável, eles aceleram. Mesmo que o endereço esteja errado, eles batem na porta.Mesmo que a pizza esteja gelada, eles não perdem a viagem e ganham um jantar na faixa. Por isso, numa noite vazia, quando um astrounauta com um roupa de plástico molhada e capacete surrado esticar um pacote para você, estique a mão e sorria. Não é sempre que um herói bate na sua porta.

johnnypiguela.zip.net

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Master cria emoticons!

busdoor mac - busdoor mac
palvo mac - palvo mac

A master comunicação cria emoticons para MSN baseados em vicissitudes e gírias do mercado publicitário.

Totalmente incrível
Totalmente sanguinolento
Totalmente sem noção

Clique aqui para baixar os emoticons

deadme mac - deadme mac

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Mesão

u - u
Cheguei à porta do bar e um figura me perguntou:

- Veio pela festa?

- Não, vim pelo bar.

O cara meneou a cabeça e abriu passagem. Lá dentro, vejo a burrada.
Espalhados por todo o salão, lá estão eles, dessarumados como cabelos da
Medusa: os mesões. Um em forma de U, outro em C e um menor em forma de
assento agudo. Penso em ir a outro bar, mas fico onde estou. O bar tem chopp
Guiness e os mesões das festas são os donos da noite de sábado, em Curitiba.
Com 87% das mesas ocupadas por plaquinhas de ³reservado², vou para o
reservado à solidão: o balcão.

Do balcão, observo os mesões como braços frios de um polvo chamado
sociedade. Nos mesões, todos são algo mais que um cara no balcão. Todos
conhecem a Giovanna do trabalho, da Pedagogia Manhã, da academia, do Orkut.
Amizades forjadas no Messenger serão sempre mais que o passangeiro ao lado
no coletivo de cada dia.

Giovanna chega e traz uma amiga do peito e o bolo. Quem faz festa com bolo
em bar depois dos 18 não deveria ter 18, deveria ficar sempre fazendo 12 até
se tocar. Mas deixa pra lá o meu amargor. Giovanna está radiante. Tem um
mesão só seu e um relógio no pulso. Olha o mesão, olha o pulso e pensa.
Vinte cadeiras, 22 amigos. Vai faltar lugar? O tempo responde. Chegam um,
dois, um casal com cara de tédio. E o mesão do lado é mais animado. Tem nego
fazendo imitação do Vesguinho e brindes ao patrão caolho.

Giovanna reduz expectativas. Oitenta por cento de ocupação tá pra lá de bom.
Meia-noite bate e Giovanna vai virando abóbora. Um terço do mesão está
ocupado. Se tivesse reduzido suas expectativas a seus amigos-amigos e
solitários desesperados em anestesiar solidão, estaria feliz com seus seis
lugares ocupados. Mas o brilho vazio dos 14 lugares reservados ofusca.
Incomoda Giovanna, a mim e ao dono do bar.

Na ponta oposta, Giovanna perde uma mesa para um casal de namorados. No dia
de seu aniversário, levam um naco de seu coração. Se a turma da academia
aparecer tá branco. Mas eles só têm olhos para suas barrigas de tanquinho e
mesões mais badalados. Giovanna fica cada vez mais em seu canto. A noite
avança e a cara de tédio do casal chama o ³Parabéns². Todos batem palmas,
mas a data não parece ser tão querida. O mesão se desfaz, a festa acaba, o
bolo sobra.

Vida em sociedade é garimpo. Se fizesse um mesão para mim, quantos viriam? É
melhor reservar uma mesa para quatro lugares, levar um Fernando Pessoa amigo
do peito e esperar no balcão. Homens são como bichos. Alguns vivem em
cardumes, rebanhos, matilhas… Outros em pares… Outros, lobisomens. Já
fui fração infeliz de cardume, arara voando feliz a dois por Paris. Agora
uivo na noite de Curitiba. Peço outra Guiness. E eu, no meu reservado, faço
um brinde sincero à minha grande amiga e irmã, Giovanna.

johnnypinguela.zip.net

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byvivas - byvivas
os amigos da by vivas colocaram esta semana no ar um novo site - www.byvivas.com.br - . confiram!!!!
os cara fizeram um lance bem bacana, eles fizeram o site inspirados nos portais que proliferam aí no mundinho virtual. o mais bacana que eu acho neste modelo é que você não fica apenas conhecendo os trabalhos e as intenções administrativas da empresa, você fica sabendo o que os donos pensam a respeito daquilo que fazem, o que querem fazer e o que não farão jamais. consegue entender um pouco mais sobre a personalidade da agência, já que a empresa sempre é a cara dos donos, através de observações mais pessoais que estão sendo postadas no blog que tem lá e no jeitão interativo do site.
é isso aí amigos byviveanos !!!! parabéns pela atitude e tenho certeza que se inicia uma nova etapa na já feliz história da byvivas.

abraço grande e força sempre,

marlon klug

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Ranking De Hoje: Toalheiros

toalheiro - toalheiro
O Instituto Tecnológico Científico Nego Lee The Commonwealth Of Massachusetts Uh-Te-Rê-Rê tem o orgulho de apresentar mais um extraordinário trabalho de pesquisa sobre um dos mais importantes assuntos que afligem a humanidade: os toalheiros. Sim, aqueles trecos que ficam nos banheiros públicos para as pessoas secarem as mãos depois de uma torneirada pós-xixi ou cocô.

Eis os resultados (por ordem de qualidade ri-go-ro-sa-men-te testada e comprovada, pode ter a certeza)…

5º Lugar = Vapor Barato: Sem dúvida, o pior de todos. Meu, sério: nem a pau que algum ser humano consegue secar a mão naquela irritante maquininha que fica sobrando um bafo quente chato e ineficiente. Só serve para fungar em cangote de anão. Cotação: Desgust.

4º Lugar = Papel com Sensor: Outra porcaria. Já não basta passar pelo desprazer de estar em um lugar fechado cheio de homem com o pau para fora, de onde você quer sair o quanto antes, o cabra ainda tem que esperar a pôrra do motorzinho funcionar direito. Cotação: Argh.

3º Lugar = Papel Higiênico: Dos males, o menor. Tem como pró o fato de ser familiar ao povo e estar (quase) sempre à mão, às vezes até sem fila, mas conta como contra com aquela eterna interrogação se o “higiênico” do nome confere ou não. Cotação: Menimeni.

2º Lugar = Papel com Picote: Muita eficiência, mas muito esperdício. (NR: Sim, eu escrevo errado de propósito. Eu gosto assim. Vai encarar?) Whatever, quer saber? QSF: não dá mesmo para enxugar a pata apenas com duas folhas. Azar das árveres. Cotação: Quaaaaase.

1º Lugar = Toalhão de Pano: 99% perfeito. Seca bão, tem sempre bastantão e é fácil de usar de montão. O tal do 1% fica por conta das travadas que rolam quando se puxa a bobina como macho, mas não é nada que uns tapas no bagulho não resolvam. Cotação: Puxa!

Vale lembrar que esta pesquisa foi auditada pela empresa Poncio & Pilatos, a bam-bam-bam no assunto. Opiniões (ou sugestões para o próximo objeto de estudo) nos comentários, por favor.

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Hippies malditos!

hippie - hippie

Esses jovens estão perdidos. Eu os vejo por aí largados na droga, no sexo e, pior: ninguém me convida. Hippies malditos! Sei que o termo “hippie” está passado como patota, poncho de lhama, flauta de bambu e sonhar com paz na Terra. Mas serve bem pra mim como servia ao Nivaldo cobrador, no início dos anos 80.

Para o Nivaldo, todo mundo que tinha mais de 2 centímetros de cabelo e menos de 30 era hippie. Nivaldo é que era um estressado de merda. Cobrador mal pago bem depois dos hippies embarcarem na sua última viagem. Para o Nivaldo, hippie era alguém que não condizia com a catraca da vida. Hippie não se vestia direito, não se barbeava direito e, principalmente, descia pela porta de trás dos ônibus da Gatusa. Os malucos subiam no bumbão e não passavam pela catraca. Nivaldo ficava cabreiro. Um olho no troco e outro no cabeludo. Antevia o “crime”, mas não fazia nada. Ele contava com o crime para descarregar seu ódio no sistema que o prendeu a um destino de ioiô centro-bairro-centro. Numa parada qualquer do caminho, o cabeludo escapolia pela porta do fundo e voava livre e tranqüilo como a pomba da paz.

“Hippies malditos! Hippies de merda!!” - esbravejava Nivaldo. Às vezes, punha culpas outras no malucão em fuga. “Não pagam a passagem e ainda riscam os bancos, hippies malditos! Fumam maconha e adoram o demônio, hippies malditos! Estupram menina e chutam sacos de lixo, hippies malditos!”

Para o Nivaldo, os hippies eram a culpa de tudo errado no Brasil do General “Prendo e Arrebento” Figueiredo. Era tamanha sua retórica anti-hippie que até dava para acreditar… Isso se não fosse por minha tia Ony. Sabem, minha tia foi a única hippie que vi ao vivo. Tia Ony era pela paz e amor. Flower power de raiz, mas sem charopada ponche e conga. Tia Ony tinha cabelão, bolsão de couro carregado de utopias (e doces para mim). Super inteligente e esforçada, Tia Ony fez uma faculdade burra: sociologia. Podia fazer Direito, Astronáutica, Endinharia de alguma coisa, mas a tia tinha ganas de enriquecer a terra. Por isso, formada, tia Ony foi trabalhar na área social da Prefeitura de Curitiba. Inventou um monte de programas sociais. Mas só uns poucos ganharam a rua (tia fazia o bem, e não política). Lembra de um ônibus que rodava a madrugada gelada com sopa fumegante na faixa para os necessitados da hora? Sacada da tia hippie! Aos 48 anos, minha tia Ony descobriu que tinha câncer no pulmão. Nivaldo diria que era porque fumava capim e adorava o demônio. Acho que o demônio tem outros passageiros para atropelar com seu bonde. Minha tia pegou ônibus para a terra onde gente boa que tenta pular as injustas catracas deste mundo vai. Hoje, minha tia assiste na primeira fila show do Lennon, Harrison, Hendrix e daquele outro cabeludo gente fina.

Minha tia partiu para as estrelas e os diamantes. Mas não sem antes encaminhar e dar destino para três filhos. Uma professora, uma botânica, um médico. Todos hippies malditos.

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Route 66 Like Jesus 33

eu - eu

Todo bundão devia ter o direito de dar uma de (ou na) Carla Perez. Eis aqui, então, eu, no meu momento de burra pretensão. E tal qual o filho dEle, o pai dEla - a minha filha de onze anos - vos digo: aos trinta e três, eu ressuscitei. Sim, com a idade de Cristo quando morreu, sinto pagos meus pecados e agora cresço e apareço e estabeleço, para mim, um recomeço, anunciando a boa nova (pessoa) ao mundo feito um anjo, Gabriel, o pecador, com o diabo no corpo já não mais tão feio, sujo e malvado ou na alma penada e lavada. Assim sendo, este que vos fala aproveita o mês do cachorro louco e usa umas quinze linhas de fama para dizer sem desgosto que está são e salvo, vazio como um copo d’água com gelo e cheio de vida e amor para dar e vender a quem quiser pagar para ver. Hoje, em agosto, por exemplo, eu já não tenho mais aquilo roxo de quinze anos e nos trinta me viro para mudar de cor, marrom, um dia preto, pronto para o caminho e seu novo início. Também, por sorte ou azar, sei lá, me vejo com treze anos de profissão e peso(s) nas costas, cabeça(s), tronco e membros, exibindo calos nas mãos e nós nos dedos, sem nariz para cima ou tampouco os pés - estes indo para frente, sem (o) olhar para trás, e deixando idem aquele outro eu, que já não é mais o mesmo, graças a Deus. Desta feita, afogando em números, nadando contra a corrente e a favor das palavras que não me atingem nem quebram meus ossos feito pedras e paus, nesta longa estrada da vida eu vou correndo e não posso parar, pois quem fica parado é poste - e poste, você sabe, não é cousa de homem, e sim de mulher grávida e bambu. E bambu, você também sabe, já viu, né?

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Relaxe, goze e morra.

bundabrasil - bundabrasil

Acordei hoje com retrato fiel do meu país na televisão. Liguei na Band Sports e um jogo de vôlei rolava na praia de Copacabana. Brasil versus Cuba. Bonitas as brasileiras e altivas as cubanas. O cenário, como as moças de biquíni verde-amarelo, também era lindo. Meu país é deslumbrante de belezas e de recursos. Gera riquezas mil, tem palmeiras altas, cantos de sábia de ouro. No meu país, muita coisa para alguns vai muito bem. O transporte aéreo, por exemplo, cresce a taxa de 12% ao ano, coisa que nem a China tem. No vôlei, as jogadas do meu país vão bem. O Brasil pandeiro e malandro vai vencendo as cubanas guerreiras. Entretanto, no áudio, o comentarista diz que o número de vítimas no solo é ainda incerto. Ontem, meu país ganhou diversas medalhas de ouro e às 18h47 da tarde, um Airbus da TAM explodiu como num filme de Hollywood. Até nas tragédias meu país faz bonito. Há dez meses, dois aviões novos bateram sobre a selva e agora um explode em plena avenida 23 de Maio. O presidente do meu país disse que queria hora e dia para dar um fim ao problema da aviação. Isso foi há uma caralhada de atrasos, raspão no céu, apagão no radar e derrapagens até no piso seco. Agora um avião entrou num prédio no meio da maior cidade do meu país e a culpa pela morte de 200 inocentes pode acabar caindo nas costas do Bin Laden, que não tem advogado. Meu país fez um PAN, tem planos de grandeza, pensa em decolagem de lucros mas não asfalta corretamente pistas de pouso. O Aeroporto de Congonhas é um porta-aviões encalhado num mar de prédios e sua pista nova é lisinha como a bunda das modelos. Meu país torrou 3,7 bilhões de reais nos Jogos Pan-americanos. Também gastou meio bilhão na remodelação dos terminais, estacionamento e lojinhas de Congonhas e a cabeceira da pista segue debruçada sobre avenidas congestionadas de gente mansa. Uma cubana grita e dá uma cravada. A brasileira tenta pegar e a bola explode no fundo da quadra. O jogo embola mas eu não assisto o final, bem como as cenas do corpos carbonizados. Beijo meu filho ainda dormindo e vou buscar por nosso pão. A mãe dele está em viagem a trabalho em São Paulo e não sei como voltará para Curitiba. No escritório, todos estão meio que incomodados com o acidente e com o presidente, mas deixa pra lá. Todos temos telefones e contas a atender. À noite tem novela e boletim do PAN. Com sorte, o Brasil ganha de Cuba e a Camila Pitanga apareçe de biquíni. Como diz uma alta autoridade do meu maravilhoso e lindo país, o negócio é relaxar, gozar e, com sorte, morrer de velhice. Eu gosto de bunda, mas não na forma de um país.

Johnny Pinguela. 18 de julho de 2007.

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Cavalo louco

sirley - sirley
Se tem uma coisa que acho legal no sistema prisional é o cavalo louco. Sabe como é? Um maluco explode o muro, ou rouba uma betoneira e arregaça o muro, ou o muro cai de podre. O certo é que do nada se abre um rombo na muralha. E entre barulho, fumaça, guardas cagados e diretor atônito, a manada de detentos sente o cheiro de liberdade e grita “cavalo louco”! “Cavalo louco”! “Cavalo louco”!

Sem grandes planos de fuga. Sem helicópteros. Sem esperança na condicional, a turma monta no alazão de batalha pela vida e corre. Cem, duzentos, zilhões de loucos correndo para cima de um guarda cegueta armado com um fuzil automático. Quantas balas no fuzil? Sabe-se lá! Cavalos não contam balas, apenas correm. Correm pela racha mais linda que a da modelo de folhinha. Correm pela ladeira das possibilidades. Correm para o horizonte sem barras de aço. Liberdade para o ladrão! Liberdade para o traficante! Liberdade para o assassino! Liberdade para o culpado sem advogado. Liberdade para o inocente sem parente influente. Todos vestidos de suor e planos correm para desfilar na passarela da vida. Todos correm para pisar na pastagem do mais verde do mundo, mesmo que por apenas um passo antes do tiro na testa.

Às vezes, penso que esse sujeito de bom comportamento chamado de brasileiro devia dar uma de cavalo louco. Já imaginaram? Às 10h25 de uma segunda-feira, um embalador do Supermercado Barateiro explode um saco de papel e a aposentada enforcada no banco BMG grita “cavalo louco”, e todo mundo sai correndo para o barato da Daslu. O estudante de periferia corre para a USP. O pinguço invade a adega. O manobrista foge com a Ferrari. Empregadas socam o pitboy. O morro desce. O Brasil vira uma ilha de caras felizes.

Revolução? Nada! Uma corrida desesperada sem ideologia de quem cansou de pastar do lado ruim da cerca. Trabalhar, ter bom comportamento, fazer Telecurso, costurar bolas, devolver a carteira do turista endinheirado e mesmo assim seguir apanhando de filinho de papai e vendo Renan Calheiros rindo na tv .

Minha amiga Cristiana diz que o Brasil é um comercial de Kolynos. Uns riem enquanto os germes batem a cabeça na barreira anticárie. Cavalos loucos podem ter vida curta, mas têm o sorriso mais lindo do mundo.

Johnny Pinguela

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off Cannes

O mundo da propaganda torna–se sempre repetitivo e autoreferencial. Muito se falou neste último festival de cannes que não há mais novidade, até mesmo nas novas mídias. Mas no off cannes muito coisa rola. Segue filme garimpado por Marcelo Romko. Brilhante!

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Participe da campanha do agasalha.

bunda - bunda

Sexo é calor, diversão! E a mulher é um Playcenter. Então, por que não aproveitar todos os brinquedos? Ver a mulher sempre igual é como um passeio no carrossel. Por mais legal que seja o cavalinho que sobe e desce, uma hora dá enjôo ou, pior, deixa o cara tonto. Daí o tonto troca de parque. Besteira! O negócio é trocar de brinquedo e seguir a diversão.

Por isso, amigos, antes que comece a soprar o vento gelado da apatia, é preciso pular de um cavalinho para o elefante voador, escorregar no tobogã de língua, apavorar no trem-fantasma, brincar de medo da mulher-gorila. Lembram-se da Monga? Não sei por onde anda, mas ela deve andar bem casada. Afinal, num momento ela era uma mocinha fina, de traços educados. Noutro, uma macaca louca arregaçando barras de aço e apavorando a macharada toda. Isso sim é uma atração quente!

Fidelidade se constrói traçando a mesma mulher de um jeito diferente a cada noite. Imaginação no poder era o lema dos estudantes em Paris. Imaginação também é foder. O cara que é fiel até na imaginação é um boçal. Ver a mulher sempre igual deve ser o ó. Para a trepada de entretenimento, a sacanagem de diversão, é preciso confiar e ousar. Papai e mamãe no escuro é legal, um clássico, saia e blusa. Mas como um tarado é um cara comum apanhado em flagrante, no guarda-roupa deve haver trajes outros. Roupa de toureira, vestido de normalista, empregada, encanador, patroa, calça de cachorra, minissaia de couro, roupa normal, por baixo fio-dental e assim vai o passeio, mais alegre, brilhante e sem fim. Como diz o poeta maior da padaria, o Nivaldo do Estilo: “Pra quem é sente frio, toalha de mesa é casaco de pele”.

Johnny Pinguela

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Chegada do Trem - conto de Carlos Klug

TREM - TREM
COM A NOITE,
AQUELA SENSAÇÃO
DE VAZIO, DE INTEIRO
ABANDONO…

O pequeno rádio da sala ora dava
notícias de um mundo longínquo, ora
apregoava mercadorias, ou apresentava
uma cantiga.

Mas, por quê?

Se a verdadeira canção estava lá
fora, no cantar da fonte cristalina, no cicio
amoroso da folhagem, no perfume das
flores que desabrochavam.

Quando a grande poesia está na
espera por alguém que não vem.

Uma rãzinha verde fitava perplexa a
imensa abóbada estrelada, como que
cismando sobre a diferença que vai da
estreiteza do raciocínio humano à
incomensurável grandiosidade dos
desígnios divinos.

Em rápida sucessão rememorou os
principais acontecimentos da sua vida
conjugal, a aflição dos primeiros tempos
em que o marido viajava, sempre
temerosa de que algo de mal
acontecesse…

A angústia dos minutos intermináveis
de espera…

Todavia, para compensar, a alegria
das chegadas, ele cansado, porém
carinhoso, relatando com entusiasmo os
menores incidentes da viagem.

Até que, certo dia, a notícia do
acidente fatal, que a lançou na cruel solidão.

tecia demoradas considerações
sobre o assunto, procurando coragem
na sua fraqueza, como criança pobre
imagina um vestido de baile para sua
boneca de pano.

Caprichava no entrelaçamento das
idéias, porém, ao invés de fino rendado
deparava-se-lhe grotesco emaranhado.

Uma fina fatia de lua, lá do alto,
espreitava por detrás das nuvens,
vestindo de prata a exuberância da
noite brasileira.

E de repente, dentro da noite, o
silvo agudo do trem que chegava.
A Estação devia estar cheia de
gente que aguardava ansiosa os seus
entes queridos…
A viúva do maquinista enxugou
mais uma lágrima.

(página 17, do livro “Família Klug”, de Edilson Klug)

fonte - R.K - blog - http://rklug.blogspot.com

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Epístola de Adeus

separacao - separacao
Nândo…

Não dá mais pra mim. Eu juro que tentei, mas agora eu dezisto. Vou embora para um lugar escondido. Neim adianta me procurar. Canssei de ficar finjindo ser a mulher que não sou çomente para lhe agradar. Canssei de fazer suas vontades e mimos çó para te ver feliz. Não. Não vou fazer mais isto. Eu sou jóvem. Tenho a vida pela frente. Por que vou ficar aqui sofrendo e me submetendo a suas vontades? Çó porque você é rico, bonito e não pára de fazer sexo? Uma relassão não é çó sexo.
Não. Eu quero um homem que me escute. Que converce comigo. Que pergunte: “como foi seu dia?”. Que se intereçe por mim e pelas coizas que fasso. E que não me trate como uma planta, simplesmente. Nando, quero que vossê saiba que eu não sou uma planta. Eu sou uma mulher. Uma MU-LHER. Leia bem esta parte: mu-lher. Vossê não faiz a menor idéia do que isto çignifica.
Eu meresso um homem que cuide de mim. E meresso um homem direito. Um que não fique babando pelas minhas amigas. Noça, só de lembrar me dá nojo. O que era vossê quando via a Má, a Naia, a Sú, a Gê, a Mi e a Lê? A Di e a Pati? E aquela vez na praia, com a Fê? Paressia um bixo. E ainda teve a cara de pau de me propor aquela safadesa, como era mêsmo?… Menajiatroá… Sei lá o nome daquilo. Ai, que nojo! Não acredito que vossê pensa eças coizas. Eu nunca vou faser uma coiza desta, tá entendendo. Nunquinha! Eu não sou deças.
E quer saber? Vou ficar bem sem vossê. Vou arranjar um homem muito melhor que vossê. Menos rico, talvez. Menos bonito… Menos tarado… É… Não importa. Mas vai çer um homem dessente e que çaiba dar valor à mulher que ele tem do lado. Vossê vai ver o que vossê perdeu: uma mulher bonita, inteligente e, assima de tudo, dedicada. Agora, asar o çeu.
Por iço, adêus e passar beim.

Vivi.

P.S: E neim adianta vir atráz de mim na caza da minha mãe.

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Namoro é degustação. Casamento, indigestão.

Namoro é degustação. Casamento, indigestão.0  2005421067 00 - 0  2005421067 00

Mulheres solteiras são como as promotoras de queijinho que a gente cruza no
supermercado. Você vem procurando um saco de carvão, sal grosso e umas
berrejas e dá de cara com o sorriso meigo e uma proposta: “Já conhece o
Cream Cheese Lu?”. Como é de graça e a moça veste um colant justo, você
aceita a proposta. Enquanto degusta a novidade, vem o malho: “É light, vai
bem com vinhos, cervejas, aperitivos com os amigos. No café da manhã agrada
e no fondue nas noites frias é de-li-ci-o-so”. Você, meio cativado pela moça
e com o sabor do queijinho, joga um pacote no carrinho.

Aí acontece uma de duas coisas:

- O queijo é bom mesmo é você gosta dele. Inventa pratos novos, receitas
surpreendentes, acompanhamentos mil.

- O queijo é ruim e vira um troço pastoso, de cheiro estranho e não muito
palatável, que faz cara feia para amigos e vizinhas. No fim, esquecido no
fundo da geladeira, o queijo embolora.

Seja qual for o fim do seu queijo, você só vai saber depois de levar o
pacote para casa. No supermercado tudo é light e feito para agradar. Queijo
não dá azia, a promotora não tem TPM, o preço de lançamento é pra matar a
concorrência, a vida é um comercial de leite Molico. Bah!!!

Sei que as mulheres que me acompanharam até aqui estão querendo me esfregar
a bandeja de queijo na cara, mas fazer o quê? É verdade! A mulher, para
cativar o homem, engole sabores mais fortes, disfarça os cheiros, veste
decotes, bronzeados, fala doce, acorda linda, de bom humor e traz um Molico.
Fazem isso tão bem que algumas mulheres até se compram sendo isso. Mas, com
anos de casamento, o sabor real aparece. Aí acontece uma destas três coisas:

- A mulher azeda. Fica pensando no que podia ter sido, no mundo perfeito ao
lado de um homem suflê, inflado, leve, saboroso e cercado de mordomias e
acaba por estragar o casamento.

- A mulher amolece. Veste calça de moletom e camisa do Mickey e fica
largada, sem sonhos, ambições. Quando muito, cuida da prole, assiste
infomerciais de AB Shaper e lê revistas de fofocas.

- Ou a mulher fica leve, aceita as imperfeições, doma o tempo e envelhece
como vinho, inventando pratos, descobrindo novos sabores, receitas para
aceitar rugas e compor um amor perfeito e duradouro com essa
marmelada-cascão que são os homens.

Johnny Pinguela
leia mais: johnnypinguela.zip.net

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RUI RESENHA II

RUI RESENHA II - RUI RESENHA II

EDIFÍCIO DAKOTA, AGOSTO DE 80

John Lennon, o velho beatle, andava constantemente irritado. Algo lhe incomodava terrivelmente. Não sabia o que fazer. Caminhava de um lado para outro e aquela sensação de desconforto aumentava cada vez mais, a cada passo. Então deu uma longa tragada no cigarro e decidiu falar com Yoko. Virou-se para ela, num tom decidido, disse: -“Quer tirar o dedo do meu cu?”

Fonte: Chiclete com Banana nº10 (Junho/Julho de 1987)

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MENINOS… EU VI ( Sunset Boulevard )

aí vai… a cena que citei no texto anterior. o trecho final do filme crepúsculo dos deuses, ou sunset boulevard no original, em que a atriz decadente do cinema mudo é dirigida pelo diretor decadente do cinema mudo.
o filme conta a história de um roteirista(william holden), que nem decadente é pois ainda não fez nada, que para fugir de alguns credores sanguessugas se esconde na casa de uma maluca(gloria swanson) que no passado foi uma estrela de hollywood. na mansão moram ela e um mordomo(erich von stroheim) também malucão que na ficção foi o primeiro marido dela e na vida real era um diretor-pra lá-de artista intelectual-em eterna depressão profunda-querendo dividir-sua repulsa ao mundo-com qualquer zé pinguela-que passasse na- esquina do boteco. ou seja… um mala! voltando ao roteirista: este começa a contar a sua história logo depois de morrer afogado em uma piscina… isso mesmo sabichão, na piscina da mansão dita acima. rapidamente chegamos a uma fácil conclusão, de que maluco mesmo era o diretor do filme billy wilder(gênio!) que criou uma das cenas mais famosas de qualquer clipe de cinema que organizadores de festivais adoram passar em festivais. a cena do corpo do negão afogado que inicia o filme. daí em diante rola um monte de piras sensacionais entre nossos três protagonistas e uma atrizinha, metida a ter boas idéias, que se afeiçoa pela personagem de william holden. este que na verdade da uma de gigolô pra cima da véia que tá louca(mesmo!) pra voltar ao altar da fama e acha que ele sendo roteirista pode vir a ajuda-la. furada…
te digo meu filho que este filme tá no meu top 10 já faz um tempo. se cê tá afins de entender um pouco sobre a banda podre de hollywood dos anos 40/50 e ver um gênio(billy wilder) em ação, pega este filme na locadora e eu ponho minha mão no fogo que vais ficar de cara. hã… só não esqueça de assistir os extras por completo, é tão bom quanto o filme.
abraço grande e força sempre, e depois ponho uma ceninha genial do ferris biller(curtindo a vida adoidado) com os devidos comentários cretinos que saem da minha cabeça com certa facilidade.
marlon klug
crepusculo dos deuses poster01 - crepusculo dos deuses poster01

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MANIFESTO A FAVOR DO JUIZ LADRÃO

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Este texto é um manifesto em favor do juiz ladrão, espécie em extinção desde que a modernidade resolveu pôr suas garras neste esporte que nos fascina, domina e nos leva a insanidades terríveis, como deixar de lado esposa, filhos, a loira do 701, trabalhos e coisas afins, em prol de uma partida entre Democrata de Sete Lagoas e Ipatinga, pela quarta rodada do Campeonato Mineiro. Sim, resolveram modernizar o futebol e quem paga a conta? O juiz ladrão.
Um despaupério, um absurdo.
Justo o juiz ladrão? Aquele capaz de salvar a mais modorrenta das partidas, marcando um pênalti inexistente aos 47 do segundo tempo?
Capaz de, no cara ou coroa que decide quem começa a partida, dizer “deu coroa, ganhamos!”.
Capaz de provocar aquela briguinha clássica entre os dois times, com direito à invasão de campo, correrias e safanões?
Capaz, por “cenzão”, de expulsar um atacante só porque ele está bem na partida e vai fazer um gol no time que pagou a grana.
Capaz de esticar o jogo até cincoenta e nove minutos do segundo tempo só para que o time que bancou a festinha da noite anterior empate o jogo.
Capaz de não marcar um impedimento claríssimo e, diante da reclamação do time prejudicado, dizer que “o gandula dava condição”.
Enfim, querem acabar com esta figura humana que engrandece o futebol e enriquece o esporte.
Não, precisamos nos unir contra essa barbárie, esse despropósito da modernidade. Não bastou terem exterminado o nosso direito ao meretrício, o direito das moças de cultivar aquela barriguinha com catupiry, o direito masculino à boa broxada ou o prazer de andar de Brasília? Agora querem acabar com o juiz ladrão!?
O que será dos nossos domingos sem essa figura ímpar?
A quem chamaremos de lazarento, de vascaíno, de fiodaputa, de corno?
A quem dirigiremos nossos ódios e opróbrios de segunda-feira?
Não, não podemos deixar isto acontecer. Onde vamos parar desse jeito?
Daqui a pouco acabarão com o pastel engordurado, com o conhaque São João da Barra, com o direito de chamar o namorado de “xãoê” (ao invés de paixão…), com o romops! Não, com o romops só se for por cima do meu cadáver!!!
Enfim, precisamos nos unir em prol do velho e bom juiz ladrão. Conto com todos.

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40.000

40.000 - 40.000
um dia o geraldo disse que o mundo não se resumia a festivais… daí eu completo: mas não por isso vamos deixar de fazer música!
o blog da corporação fantástica chega a indiscutível marca de 40.000 acessos, isso prova que estamos perdendo dinheiro pra caralho em não colocarmos banners pagos nesta bagaça.
quando o ferris biller(curtindo a vida adoidado) chega naquele carro alegórico durante uma parada festiva ele diz apenas uma frase antes de começar a cantar, a frase é: VAMO AÍ MOÇADA!!! isso diz muito sobre o jeito de ser da corporação fantástica. este, na realidade, é tipo um lema que temos no tratado fantástico.
a música fala: onde queres revolver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão… ou sou peixão ? tipo peixão de peixe grande, sabe como é… os dois fazem sentido… desculpa, foi mau. tem outra história engraçada de um amigo do herminio, o herminio que é sócio aqui do barraco, que ele cantava: na madrugada a vitrola rolando um blues, tocando de biquini sem parar… tocando de biquini sem parar é brilhante né. pelo menos eu acho.
quando o carlão encheu o saco nosso pra fazer este blog confesso que nunca acreditei que ele chegaria aonde está agora. parabéns carlão… até quando você é chato você é legal. sou fã!
tô de férias ainda. cool. férias é um troço massa, você faz um monte de coisas e volta mais cansado do que quando saiu. fui visitar a casa do presidente lula. o palácio do alvorada parece um show room, mas é bacana. eu moraria lá frouxo. a biblioteca de lá deve ter uns 40.000 livros… bá.
esse lance de blog virou uma febre mesmo, mas como tem blog mala aí neste mundão virtual. não vou citar, depois o mala vem aqui e pôe comentários de pouca educação. bundão.
sabe aquela cena que termina o filme crepúsculo dos deuses(Billy Wilder) quando a atriz decadente desce a escadaria e o mordomo dirige ela ? porra, acho aquela cena muito foda porque aquilo é tipo um caso verdade. a atriz que interpreta a atriz decadente é realmente um atriz decadente do cinema mudo e o cara que interpreta o mordomo era um diretor fodão nas épocas de muito mais antigamente. o filme foi tipo uma porta da esperança pra estes caras… loucura rapaziada.
bom, deixa pra lá! ator bom mesmo era o marlon brando, e blog bom mesmo é o da corporação fantástica com seus 40.000 acessos. valeu galeura, que tô emocionado !!!
abraço grande e força sempre.

marlon klug

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RUI RESENHA I

RUI RESENHA I - RUI RESENHA I
Quem se lembra do Rui Resenha, o “coolunista” da Chiclete com Banana?Revirando minhas revistas velhas, encontrei uma nota dele intitulada “Alhos com Bugalhos”, de 87 e, dizia assim:
“O mundo corre na velocidade de um trem bala, deixando para trás as tendências surgidas ontem e que hoje se tornaram lixo. Escrementos de uma época. Este new coolunista não nega o enfervecer do planeta, esse imenso sonrisal cultural.
Pintores que não sabem pintar, músicos que não sabem tocar, cineastas que não sambem filmar e críticos que não sabem criticar. Instalou-se o vazio geral e a imprensa aplaude esse espetáculo grotesco.
A mídia diz que o caos é chique, coisa de final de século. Mas, convenhamos, tudo não passa de tremenda merda metida a besta, com pose de pós-bosta.
Se a próxima onda é o Japão, surfarei rumo às Índias; se todos se estirarem na praia, subirei o morro, aquele dos ventos uivantes e, se James Dean e Mick Jagger fossem vivos, hoje seriam uns bundões. Não há rebeldia criativa que não sucumba diante de um gordo capital. Assim profetizou Karl Perkins ou Marx Bolan, sei lá! Sei que ao ouvir falar em contra-cultura, puxo logo meu contra-cheque. Quem sabe faz na hora, não espera acontecer. Portanto, molecada, botem pra foder, peguem seus cartões automáticos, vão ao banco 24 horas mais próximo e saquem todas as bandas de rock desejadas. Deixem todos os saldos negativos. Gritem, rápido “Anarquia! Anarquia!”, porque, como disse Bob Dylan a Abie Hoffman, diante de duas carreiras de cocaína: “O último que chegar é mulher do padre!”
É meus amigos, e lá se foram 20 anos, e como diria o também profeta Leo Jaime: “…uou, uou, uou, uou, nada mudou…”

Fonte: Chiclete com Banana nº10 (Junho/Julho de 1987)

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Dom se abraça.

D velazquez50 - D velazquez50

Carlão me deu uma boa notícia. Entre os dez textos mais lidos no blog, três eram meus, inclusive o primeirão. É sal nas lesmas, meu povo!!!Outra coisa chamou a atenção de Carlão: meus três textos tinham o mesmo tema base. Adivinhem? É redondo, macio e ocupa dois terços das bancas de jornais. Carlão em seu elogio disse que tenho dom para escrever sobre bunda da mesma formar que Degas tinha para pintar bailarinas. E dom a gente não chuta, mas abraça. Então vamos a crônica de hoje: bom uso dos dons.

Vejam o caso de uma figura chamada de Amanda Balu. Balu é o que posso chamar de uma pessoa intermediária. Sem insulto nisso, eu quando muito sou zagueiro dando chutão pra frente. A Amanda é média de rosto, médio de busto, média de papo, media de idéias e performance na mina de sal.

Porém de bunda, a Amanda Balu é como a Monalisa exposta na feira de domingo do Largo da Ordem: incomparável. Você vem vendo capa de bujão de gás aqui, pantufa, bicho de pelúcia e, de repente, a Monalisa explode na sua cara.

Imaginaram? Mas o problema que a Amanda Balu não quer ser obra prima. Que ser operária. Para isso a Amanda se esforçar em carregar carrinhos de sal até alta madrugada colocando um véu cinza sobre seu dom. Keyra Agostina não. Essa argentina me foi apresenta pelo Pomps quando escrevi a crônica “ O Santo Grall de fio dental”.Pelas fotos, Keyra aparenta ser é um pessoa tipo intermediária mas, corajosa e rassuda, foi ao ataque. Começou singelamente tirando ela mesma suas fotos e postando na net. Nada de truque de luz ou photoshop, só Keyra, seu shortinho e seu dom. Resultado: num efeito de bola de neve e saliva, Keyra é hoje conhecida mundialmente como “the perfect ass” ou “a melhor bunda da internet”. Da net até que pode ser, mas não do mundo. Porque amigos e feministas em pé de guerra, analisando a questão com gente do calibre de Oriental, Garibaldo e Dom King, todos fomos unânimes no veredicto: Keyra Agostina, musa da net, nada mais é que Amanda Balu sem três meses de spinning. É pá e bola! Amanda Balu tem dom para dominar a net, fincar a bandeira verde-amarela no pavilhão argentino e ser referenciada como a Monalisa. Porém, desgraçadamente, Amanda renega seu dom. Veste jeans folgados, vestidão hiponga, usa salto baixo, não rala na academia e se segue sua vida pela intermediária. Diram as sem bunda que sou um canalha e que mulher não é só um rabo bom. Mas retrucarei que vivemos num mundo competição, onde todos buscam se destacar. Se Balu tivesse uma voz de Elis Regina e não cantasse, você condenaria esse texto? Se fosse atriz como uma Montenegro e usasse isso apenas para vender Herbalife, você pensaria em desperdício?Se Amanda Balu pudesse descobrir a cura da AIDS mas ficasse vendo novelinha, seria eu o canalha? Pois é, dom se abraça. Eu, chutador de canelas, fiz isso em mais uma crônica sobre bunda. A Amanda Balu deveria fazer o mesmo. Ou pelo menos passar a andar de costas. Afinal, a primeira impressão é que fica. Fuii!!!

Johnny Pinguela. Maio de 2007

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Piratas entre velas e âncoras.

Pirata - Pirata
Velas são agitadas. Inflam-se e vão com o vento do momento. Depois vão se virando aqui e ali para buscar o melhor sopro. Às vezes o vento não vem e o velame murcha.Mas seguem velas. Só que dobradas, amarrotadas e amarguradas.

De repente, xô calmaria! Uma brisa basta para a vela abrir. O velame sobe e o barco vai, mesmo com ventos contrários. Nas tempestades, velas ficam duras como mantas de aço. Rasgam até, são costuradas deixando cicatrizes à mostra… Provas de sua coragem de navegar em tempo impróprio. De longe, velas são bonitas singrando o azul maior do mar. De perto, são grandes levando o barco. De baixo, pesam como tábuas de caixão.

Âncoras são pesadas. Presas a correntes, âncoras dividem seu tempo em ficar quietas no convés e quietas nas profundezas. Ninguém sabe bem o que vai pela cabeça de uma âncora. Ser pesadas lhes basta. Lá no fundo, em meio às rochas e ao lodo, âncoras lutam suas lutas com a maré. Delas se espera força, estabilidade, mudez. Barcos sem velas são barcos parados. Barcos sem âncoras são barcos perdidos.

Âncoras seguram a barra então. Enferrujam, incrustam e ganham majestade de âncora viajada. Mesmo tendo sempre ficado na sua, num canto.

Penso que pessoas meio que se dividem assim. Quando jovem, se é mais vela solta no mar de oportunidades. Pais alertam: “Se garante num banco estatal, guri”. Mas o jovem vai na cata de seus tesouros, ilha da fantasia. Usa cabelo de pirata, roupa gasta, brinco na orelha, cara de mau. Busca os sete mares mesmo ficando por ali, em seu quintal. O vento vai indo e vindo, mudando. O amigo na estatal vai virando o bom. Tem estabilidade, rumo, décimo quarto, a vida enrolada em torno de um nó. Tá no banco, tá bem. O cabeludo careca não. Tá no mar, sem porto, sem vento.As velas são altas e são brancas, mas tão sem porquê. Onde vai o vento? Às vezes são. Às vezes não. A vela vai. Se é o rumo certo não sabe. Só sente que lhe resta o mar dos piratas sem dentes, sem tédio e sem fundos de pensão.

Johnny Pinguela
johnnypinguela.zip.net

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Vale A Pena Rever De Novo Outra Vez Novamente Again, Fazer Repeteco E Ainda Pedir Bis Também

180px Le galop de daisy - 180px Le galop de daisy

Do Ricardo Calil (aqui no NoMínimo de ontem): “O canal Sky Movies Sci-Fi & Horror realizou uma pesquisa em Londres para descobrir as diferenças entre os gostos cinematográficos de homens e mulheres. A pergunta básica era: qual filme você gosta de ver várias vezes? (…) Confira abaixo os Top 10 dos dois sexos.”.

Top 10 das Mulheres

1. “Dirty Dancing” • 2. Trilogia “Star Wars” • 3. “Grease” • 4. “A Noviça Rebelde” • 5. “Uma Linda Mulher” • 6. Trilogia “O Senhor Dos Anéis” • 7. “A Felicidade Não Se Compra” • 8. “O Exterminador Do Futuro” • 9. “Matrix” • 10. “Tubarão”

Top 10 dos Homens

1. Trilogia “Star Wars” • 2. “Aliens” • 3. “O Exterminador Do Futuro” • 4. “Blade Runner” • 5. “O Poderoso Chefão” • 6. “Alien” • 7. “Tubarão” • 8. “Duro De Matar” • 9. “O Exterminador Do Futuro 2″ • 10. Trilogia “O Senhor Dos Anéis”

Do Nego Lee: Minha lista começaria com não sei e sei lá como continuaria. Deixa eu pensar e depois digo. Enquanto isso, responda aí (nos comentários do blog): e a sua?

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CIENTOLOGIA, OUTRO DIA

city lights - city lights

Na rua um dia freqüentada por Kerouac, há um prédio com letreiros imponentes: Church of Scientology. De passagem, sou interrompido por uma mulher que pergunta se eu queria ver um filme lá dentro. Filme? Yes, only twenty minutes, e pergunta de onde sou. Brasileiro? Ótimo, temos versão com legendas em português. O pessoal da Cientologia não perde tempo. Literalmente. Antes que pudesse esboçar reação já me vi dentro do prédio e, mais rapidamente ainda, dentro de um auditório escuro onde era o único espectador. Passei algo parecido certa vez na Cinemateca, assistindo solitário ao Soberba. Mas tudo indicava que desta vez eu não ia contar com o talento do Orson Welles. Bom, de férias vale tudo, então, por que não?

Sinopse. Um universitário, jogador de futebol americano, jovem, saudável, loiro e de olhos claros, é o protagonista. Sua namorada, uma garota jovem, saudável, loira e de olhos claros. Não lembro se era cheerleader. Num jogo, ele sofre um sério acidente e fica paraplégico. Os médicos o desenganam. Para o rapaz, é um golpe do hospital para mantê-lo preso ao leito e lucrar com isso. Temos aí os vilões da trama, médicos sem escrúpulos e ambiciosos. Eis que cai em suas mãos o livro da Cientologia, escrito por L. Ron Hubbard. Lendo, ele se ilumina e descobre que tudo pode ser alterado com o poder da mente, numa mistura de auto ajuda com psicanálise. Meus olhos são testemunhas que funciona: vi o rapaz começando a mexer o dedão do pé, depois o joelho, a perna, a música crescendo até que, num pulo, sai da cama dando um mortal, mesmo após meses sem mexer os membros. Como um canguru, ele salta para fora do hospital nos braços da namorada, provocando a ira dos maléficos doutores.

Saí da sala com saudade da Cinemateca e, enquanto minha pupila ainda se acostumava com a luz, outro funcionário da igreja já me conduzia a um balcão onde o mesmo livro que transforma paraplégicos em capoeiristas aguardava minha compra. Escrito em português, evidentemente. Na contracapa, depoimentos elogiosos de Chick Corea e John Travolta. Livros costumam ser melhores que filmes, mas não paguei pra ver, tinha páginas demais e minhas pernas estavam bem. Na saída, ainda cruzei com a mulher que me levou lá pra dentro. Não tive chance de agradecer, ela estava ocupada conduzindo mais duas pessoas para o interior da sala escura.

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Hands - HP

A nova mania entre finalizadores, editores e gente de pós-produção em geral… é falar da campanha Hands da HP. Criada pela Goodby, Silverstein & Partners - San Francisco a campanha mostra algumas personalidades como Jay-Z, Shaun White, Mark Burnett, Pharrell Williams e Paulo Coelho (???) manipulando no ar ícones e imagens relacionadas com as vidas dos protagonistas… um brilhante trabalho de VFX e animação da Motion Theory. O mais recente e melhor filme da campanha traz a estilista Vera Wang. Mais bem acabado nos aspectos de direção de arte este filme abusa menos do 3D e passa a usar mais elementos reais na composição. Excelente.

Na sequencia filme e Behind the scenes

dica: Ribamar Soares.

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O goleiro e sua condição.


Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento

Jorge Mautner

index75 - index75
33 minutos. Segundo tempo. Voz de radialista:

…cobrou agora Juvenal. Direto, sobre a área. Salta Chico. Não alcança a bola. Mas ficou ainda do campo contrário. Cruzou à boca da meta! Aliviou Gambetta! Vem para Bauer. Bauer aparou o couro no peito. Tentou passar por um contrário. Atrasou para Jair. Jair então infiltra-se. Empurrou o couro. Defendeu Tejera. Voltou para Danilo. Danilo perdeu para Julio Perez, que entregou imediatamente na direção de Míguez. Míguez devolveu a Julio Perez, que está lutando contra Jair, ainda do campo uruguaio. Deu para Ghighia. Ghighia devolveu a Julio Perez que dá em profundidade ao ponteiro direito. Corre Ghighia! Aproxima-se do gol do Brasil e atira! Gol! Gol do Uruguai! Segundo gol do Uruguai. Dois a um, ganha o Uruguai…

Ele se levanta lentamente e observa a comemoração dos uruguaios. Mantém, por um segundo, a cabeça baixa, como a pedir perdão por aquele momento. E aquele momento era um momento de silêncio, uma espécie de funeral repentino que tomara todo o estádio, que silenciara o pagode infernal que se estendia desde a manhã, como se o estádio obedecesse a um interruptor cuja posição fora invertida. Ouviam-se apenas os gritos uruguaios. A imagem daquele dia: onze jogadores silenciando duzentas mil pessoas. Mudas. Estáticas. Suspensas.
E todos os silêncios e todos os olhos e todas as preces e todos os ódios, malefícios e mandingas, bençãos e orações, voltaram-se para aquele goleiro de 29 anos que, sozinho (como ficaria o resto da vida), agora estava de cabeça baixa, como que a ouvir a uma sentença.
E nos doze minutos restantes do jogo ele ficaria ali em silêncio, solitário ante aquele mar de gente, observando o jogo de longe e torcendo, como um espectador, um ouvinte em Quixeramobim, um transeunte na Praça da Sé, um devoto em Juazeiro ou um marido qualquer no balcão de um bar perdido do Centro, por um gol, um mísero gol que evitasse a tragédia que se prenunciava. Ele, tão importante no jogo, nada podia fazer a não ser observar de longe e torcer, torcer, torcer.
E nesses doze minutos que, conforme as leis físicas que regem o futebol, passaram como se fossem doze segundos – porque o time estava perdendo – ninguém no estádio percebeu que ele jogou de olhos marejados e que toda sua vida lhe viera à mente como num filme desbotado, preto e branco, porém nítido. Todas as cenas, desenlaces, ganharam naqueles doze minutos, uma nova exibição. Enquanto o jogo se concentrava no outro lado do campo, naquela tentativa desesperada do time para reverter a situação, e onde o outro goleiro se tornava o novo herói de uma nação minúscula, ele passava em vista todos os lances da sua vida.
Nunca se sentira tão só em toda sua vida. Mesmo com duzentas mil pessoas em volta, era ele e mais ninguém.
Lembrou da infância em Campinas, do futebol entre os amigos, da sua predileção pela ponta-esquerda, dos primeiros bicos e do seu emprego no laboratório de química, onde se revelou um ponta do time da empresa. Lembrou da sua chegada em São Paulo, para começar sua carreira no Ypiranga onde, por acidente, tornara-se goleiro. Lembrou da estréia no Vasco e dos milhares de gols que evitara; dos títulos que conquistara com o time do Rio e das manifestações de gozo da torcida. Lembrou das derrotas, dos xingamentos a que se acostumara. E diante destas lembranças percebeu como amava aquilo tudo, como o futebol dera o sentido da sua vida e que um dia tudo aquilo lhe estaria distante, no passado.
E, num átimo, lembrou que ali estava no jogo mais importante da história, onde tudo seria dividido em antes e depois. E que aquele gol que tomara minutos atrás seria uma mancha, um estigma, a ser carregada pelo resto da vida. Onde quer que fosse seria declarado culpado, o maior dos traidores da pátria. E, por um instante, imaginou que após o fim da partida ninguém se lembraria do que fizera antes, dos gols que evitara. Ele seria para sempre o goleiro que falhara na hora imprevista, o homem derrotado no momento mais importante. A imagem do fracasso. E de súbito olhou para a torcida e teve a impressão de que todos o olhavam com ódio, desprezo e raiva. Teve, então, a pior sensação que jamais tivera: que, encerrada a partida, caso realmente perdessem, seria banido do mundo, condenado tal como um criminoso a expiar seu crime e que carregaria sobre o ombro a culpa daquele time pelo resto da vida. Viu-se dali a cinqüenta anos expiando um crime num país onde a maior pena possível era de trinta.
Ao pensar isto, o desespero lhe veio como um tiro.
Nesse exato momento ouviu um apito e voltou sua atenção ao jogo. Com um lance do outro lado do campo, ironicamente quando o outro goleiro agarrou o último ataque, a última tentativa daquele time de empatar o jogo, o juiz, britanicamente pontual, deu a partida por encerrada.

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Project 155

Dica:
paula rizzo(updateordie)

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Ê, Meu Inimigo Charlie Brown…

cbj - cbj
Às vezes eu fazo cousas que até Zeus duvida. Escutar rádio, por exemplo. Sim, em tempos de MP3, eu ainda aciono o toca-fitas do meu SP2 para saber qual é, neguinho, qual é o quente da programação radiofônica e comercial de hoje. Ok, confesso que é mais pela comercial do que pela radiofônica, já que o que eu busco mesmo é o break, para ver a quantas anda a propaganda local do meu Paraná varonil. Ver não: ouvir. Que burro eu sou, sô.

Mas não tão burro quanto o existêncio de uma das piores bandas já nascidas pelo cu deste Brasilzão do Cão: Charlie Brown Jr. Escutar ISSO de novo me fez sentar a bunda gorda na cadeira numa madruga dessas qualquer só para sentar a lenha nos tais. Maldito seja o pai do tal Jr., que blasfemou Charles Schulz e/ou até Benito di Paula (acho) para batizar algo tão, tipo assim, maior nada a ver, sabe? - e que não presta nenhum serviço a nada ou lugar algum.

Detalhando: musicalmente, Charlie Brown Jr. é nada. E, literaturalmente, pior. Zero chance de eu querer Proust dentro de um estilo tão banal quanto o rock. Eu nunca vou me esquecer que o tal (meu) ritmo preferido iniciou com “Be-Bop-A-Lula-Be-Bop-Bem-Bom” ou algo assim. Nem que um dos grupos que mais aprecio faz cousas tão ou mais superficiais - mas muito mais adoráveis - como isso aqui. Mas jamais vou deixar me levar por algo tão ruim assim.

Quem defende diz que é música pesada e rápida, sem frescura que vai na veia. Concordo e disconcordo: música pesada por si só serve apenas para pogar; rápida como esta, somente para cabecear. E se a busca é por algo sem frescura que vai na veia, que a pessoa experimente doar sangue, então. A agulha da seringa é quentinha, o barato rola se o jejum estiver em dia e você ainda leva um Nescau de brinde na saída. Música? Usa um iPod com algo que preste, ué.

Resumindo, se você não tem corpinho de 12 anos e a cabeça de 6-6-6, CBJ é som não bão, com um discurso monossilábico, ininteligível e nada inspirador. Ou, em outras palavras, barulhinho bobo feito com letras grandes e figuras para colorir, com a mesma profundidade de “Ritmo de Festa”. Com a diferença que esta obra-prima do gênio Silvio Santos, pelo menos, é sorridente, ao contrário de toda a obrada carrancuda de Chorão & seus moleques.

Resumindo de novo: delete.

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Pinguela por Paris.

Esse curta metragem foi gravado pelo diretor Claude Lelouch numa manhã de
agosto de 1976. A história é que após uma longa e dura filmagem a equipe se
reuniu para comemorar. Já na madruga alguém comentou que havia sobrado uma
lata de filme virgem. Dai surgiu umas daqueles grandes idéias de quem está
encachaçado. O carro é uma Ferrari 275 GTB de um playboy amigão e o
motorista, até agora desconhecido, fui eu, Johnny Pinguela. Apreciem!!! Eu e
Carlão já marcamos a sequência para a próxima lata que sobrar. Vamos detonar
pelo Ahú, Centro Cívico , Batel e Santa Felicidade. Apenas o carro será um
Opalão nervioso. Sabe como é… orçamento nacional.

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pleix

pleix - pleix
escrevo aqui, rapidinho - envergonhado e desaparecido, imerso sob toneladas de papel e tons de cinza - sobre este site cujo link vi na folha de são paulo, deste tal pleix , uma comunidade virtual que reúne vídeos produzidos por artistas digitais de paris - músicos, designers, especialistas em 3d. Citando a folha: “No site, importantes ícones da atual indústria de design gráfico oferecem ao público, de forma misteriosa e quase anônima, suas últimas criações”

Destaque a “beauty kit”, bastante irônico, com instrumentos cirúrgicos para cirurgias plásticas em crianças, e “birds”, com cachorros voando em câmera lenta entre luzes neon, no melhor estilo 80´s. Além das figuras acima, claro, vídeo do groove armada, com coelhos dançarinos sendo coelhos

tem coisas chatas tbm, claro…..mas tem esses cachorros voando em câmera lenta, que são impagáveis.

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Não esqueçam a Páscoa do lixeiro!!!

14 Garbage Man - 14 Garbage Man
Tive um dia ruim. Não, melhor, uma semana ruim. Na verdade, mesmo, foi todo
o mês de março miserável. Não vou pená-los com os detalhes, mas as laranjas
de minha sacola furada têm rolado ladeira abaixo. Com isso, entre sair da
mina de sal e ir para a ilha santuário, tive que dar uma passada na Padaria
Verdes Mares. Precisava beber. Leminski disse que “beber em Curitiba não é
vício, é autodefesa”. Então, lá fui para minha aula de judô com garrafa.
Entornar sozinho tem algo de decadência, mas é saneador. Você arruma a casa.
A mente desliza e quica como sabonete em piso molhado. Penso na vida, no
Leminski, no pão nosso, dívidas, trampolim de álcool e mergulho no decote
pão quente da balconista.
Falando nisso, quando tenho um dia ruim, gosto de beber na padaria e não no
bar. Acho que é porque a padaria fecha cedo. Meu pai, nos seus dias ruins,
bebia num bar que fechava bem depois do programa do Chico Anísio e eu não
achava graça alguma. Então, arrumo minha casa enquanto as balconistas fecham
a delas. Ganham pouco elas e, ao lado de um forno, tiveram um dia bem mais
quente que o meu, mas estão felizes. O exemplo delas e metade da garrafa me
alegram. É sexta e todo mundo pode ser outrem.
Apressados, os últimos fregueses entram em busca de pão frio, cigarro,
isqueiro e ovo de Páscoa. Falta uma semana para a Sexta Santa. Não posso
esquecer que o coelho vai passar em casa. Anoto no meu bloquinho mental:
“Super Kinder Ovo com brinquedo surpresa gigante”. Na TV, uma freira diz ter
sido curada por João Paulo II.
A padaria quer fechar. Peço cinco latas para a moça simples e bela sem
uniforme e vou para a rua com a cabeça mais leve e um saquinho plástico na
mão. É uma noite quente e boa. Tenho casa própria e amor meu. João Paulo
disse que a vida é uma peregrinação. Alguns vão a pé, outros de joelhos,
outros de helicóptero, alguns poucos assobiando.
Nisso, ao meu lado, o caminhão do lixo ruge como um javali. Da traseira, um
grupo apressado salta e começa a lançar sacos na boca da fera. Um deles me
olha nos olhos. Como quem reconhecendo a nobreza daqueles cinco atletas em
constante maratona, eu aceno. Ele, reconhecido como homem de valor, retribui
o gesto e, montando no javali, dispara maroto:
– Não se esqueça da Páscoa do lixeiro!!!
Peregrinos merecem milagres. Estico o saquinho com cinco ovos de alumínio
gelado e grito:
– Opa!!! Tá na mão o chocolate.

Feliz Páscoa a todos!!!

Johnny Pinguela – Abril/2007
johnnypinguela.zip.net

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meninos eu vi!!! (laranja mecânica)

Num futuro qualquer, o líder de uma gangue de delinquentes é sacaneamente preso e usado como cobaia num experimento para frear seu impulsos destrutivos e muito loucos. Dirigido por Stanley Kubrick(mestre na arte cinematográfica)) e com Malcolm McDowell como o doidão de plantão Alex, que é louco por Ludwig van Beethoven e por sangue(dos outros). A película recebeu 4 indicações ao Oscar e 3 ao globo de ouro, não ganhou porra nenhuma é óbvio. A academia nunca esteve preparada para
Stanley Kubrick, e Stanley Kubrick nunca esteve afins de ser academico… hê hê hê.
Laranja Mecânica é uma obra prima de qualquer ponto de vista que você queira ver. Explico: se você analisar a direção de arte é genial, os atores estão de foder a narrativa é absurdamente digna de inveja e o clima cool do filme não tem precedentes. Sem contar a acidez do filme que é de um humor brilhante, o que prova que o diretor do filme era realmente um psicopata em estado lapidado.
Nesta cena que os companheiros assistirão abaixo, Alex canta Singin’ in the Rain (1952). Quer saber… até que ele canta bem.

Curiosidades devertidas sobre a obra em questão:

- Stanley Kubrick certa vez declarou que, se não pudesse contar com Malcolm McDowell, provavelmente não teria feito Laranja Mecânica.

- O orçamento total do filme foi de apenas US$ 2 milhões.

- No livro, o sobrenome de Alex em momento algum é revelado. Comenta-se que DeLarge seja uma referência a um momento no livro em que Alex chama a si mesmo de “Alexander the Large”.

- Basil, a cobra, foi colocada nas filmagens após o diretor Stanley Kubrick descobrir que Malcolm McDowell tinha medo delas.

- O livro em que Frank Alexander trabalhava quando Alex e sua gangue invade sua casa chamava-se “A clockwork orange”.

- Stanley Kubrick propositalmente cometeu alguns erros de continuidade em Laranja Mecânica. Os pratos em cima da mesa trocam de posição e o nível de vinho nas garrafas muda em diversas tomadas, com a intenção de causar desorientação ao espectador.

- O filme foi retirado de cartaz no Reino Unido a mando de Stanley Kubrick. Irritado com as críticas recebidas, de que Laranja Mecânica seria muito violento, Kubrick declarou que o filme apenas seria exibido lá após sua morte.

- A linguagem utilizada por Alex foi inventada pelo autor Anthony Burgess, que misturou palavras em inglês, em russo e gírias.

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Camuflagem de Páscoa!

Os amigos da Candyland Comics… tiveram uma tirada genial para páscoa. Em parceria com a Cuore di Cacao, a melhor chocolateria da cidade, fizeram uma série de “coelhinhos” de chocolate um pouco diferentes. Na verdade estes supostos coelinhos são outros animais, todos normalmente excluidos do evento pascoal, disfarçados de coelhos de páscoa… Tem elefante, sapo, gato e até ornitorrinco.

Maiores informações: (41) 3014-4010

À venda na Cuore di Cacao, no Lucca Café (Juvevê) *ainda a confirmar e, claro, na Candyland Comics.
pascoa display - pascoa display
nota - nota

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Minha amada Curitiba.

0  2006260362 00 - 0  2006260362 00
Na feira do Alto da Glória tem pastel igual o de São Paulo e mesinhas para
sentar que lá não tem. Nos parques tem carpas cinzas e laranjas mas no
mercado municipal tem carpas douradas. O efeito estufa pode ser mal para a
calota polar mas para Curitiba o inverno está demorando a chegar. No bosque
de Papa, eu gosto de entrar pelo fundos e ir pela floresta até a vila do
Asterix. Dentro do Olho eu gosto de viajar pelo no espaço sideral. Eu já vi
um elefante pastando ao lado do Guaíra. Na praça Ouvidor Pardinho tem um
trator amarelo como o submarino dos Beatles. Em torno do HC tem gente de
mascara voltando a respirar aliviada. Na velha Casa do Estudante tem trafego
de idéias novas. No zoológico tem girafas, leão, tamandua, povão que não
custam nada visitar.No Gato Preto tem moças boa de papo. No Jardim Social
tem casas duras e muradas que escondem casinhas nas árvores. Jogam xadrez,
pão e prosa no Passeio Público. Na rua São Francisco tem um estátua de Don
Quixote. Em maio, num canto do passeio público tem um teletransporte para
Paris. No fundo do sêbo São João tem um portal para qualquer dimensão. Nas
lojas de móveis usados do rua Rio Branco tem maquinas do tempo e uma
portinha chamada Ebenezer. No centro sempre vejo uma bonitona refletida na
vitrine, um poster polonês e uma dona gritando “ coelho, 36”. No poste da
esquina, tem um cartazinho feito a mão por uma criança com a foto de um
cãozinho simpático e título “achou-se!”.A prefeitura disse que sua maior
obra é realizar sonhos. Já vi um travesti síndico e uma madame dar um
casacão italiano para um mendigo nacional. Tem um cara que pedala de sunga e
um padrinho de casamento que diz que o filme Trainspotting foi inspirado na
vida dele. Tem um poeta que virou professor da Federal. Tem uma flautista
que ensina design. E um menino me disse que tem um tubarão embaixo do
aquário municipal. O trem buzina cedo mas acordo com o zumbido da roçadeira.
O ar é bom e a qualidade de vida respirável. Tem mais gente disposta a
pintar a fachada que pixadores. Tem coxa brancas e mas também tem
atleticanos. Tem taxista carioca. Padeiro paulista. Oculista francês. Tem
filha de puta solto e filho de puta adotado. Pela janela, os gatos passeiam
pelos telhados, passarinhos cantam e pela casa crianças brincam de quadrilha
. Uma vez perdi os documentos e um sujeito me devolveu. Numa copa da mundo
levei um moça para jantar em Santa Felicidade e nunca mais torcemos
sozinhos.No quintal do Pantagruael é bom de comer risoto . No Jokers é bom
beber Guiness. Na portas da catredral dá para chorar de madrugada. Já
sobrevive em outras cidades, agora vivo aqui. Visto camisa floridas no
inverno e o Havai não é longe. Às vezes malho as pessoas da Curitiba mas
também aprendi separar meu lixo. Plantei girassóis no horizon